Ir à farmácia está pesando mais no bolso desde o início de abril, quando entrou em vigor o novo reajuste dos medicamentos autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Embora o teto de aumento tenha sido de 5,06%, em alguns casos, os consumidores se depararam com reajustes que ultrapassam os 200%.
O motivo? O reajuste incide sobre o chamado Preço Máximo ao Consumidor (PMC), que é o valor mais alto que pode ser cobrado por um medicamento. No entanto, muitas farmácias vendem abaixo desse limite. Quando o novo valor é aplicado para se aproximar ou atingir o teto, a diferença percebida pelo consumidor pode ser muito maior que os 5,06%.
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Um exemplo é o medicamento Gestodeno + Etinilestradiol, cujo preço médio era de R$ 39 em março e passou para R$ 67,92 em abril — um aumento de 74,15% em uma única farmácia. Mesmo assim, ainda está abaixo do teto estabelecido para São Paulo, que é de R$ 93,31.
Segundo especialistas, os reajustes são influenciados por diversos fatores:
Inflação acumulada
Custo de produção e logística
Dependência de insumos importados
Câmbio e variações no valor do dólar
Produtividade e concorrência no setor
Além disso, a legislação brasileira não permite a redução oficial dos preços, o que impede ajustes negativos, mesmo quando há quedas nos custos de produção e distribuição no mercado, criando um desequilíbrio que pode penalizar o consumidor final.
Como o aumento impacta o consumidor?
Para quem depende de medicamentos de uso contínuo, o reajuste pesa diretamente no orçamento familiar. Embora algumas farmácias ainda estejam vendendo estoques antigos, adquiridos antes da alta, o impacto deve ser sentido de forma gradual nas próximas semanas — especialmente em cidades com poucas opções de farmácia ou regiões mais afastadas, onde a concorrência é menor e os preços tendem a subir mais rapidamente.
Dicas para economizar com medicamentos
Imagem: Freepik
Diante do aumento nos preços, adotar estratégias de economia pode fazer grande diferença. Veja algumas dicas:
1. Opte por genéricos ou biossimilares
Eles oferecem a mesma eficácia que os medicamentos de referência, com preços até 80% mais baixos.
Oferece 41 itens gratuitos, incluindo remédios para hipertensão, diabetes e asma, além de absorventes e fraldas geriátricas. Basta apresentar documento e receita médica em farmácias credenciadas.
3. Compare preços online
Ferramentas como CliqueFarma ajudam a encontrar os melhores preços sem sair de casa ou perder tempo.
4. Use clubes de fidelidade
Redes como Pacheco, São Paulo e Venâncio oferecem descontos para clientes cadastrados. Há ainda parcerias com planos de saúde e laboratórios.
5. Pesquise em diferentes canais
Farmácias oferecem condições diferentes para compras presenciais, online, por telefone ou via aplicativo. Vale comparar para aproveitar as melhores ofertas.
6. Barganhe no balcão
Conversar com o atendente pode render bons descontos, especialmente em compras de maior volume ou uso contínuo.
7. Cadastre-se em clubes de vantagens
Plataformas como Stix e Meu INSS+ oferecem descontos em farmácias para quem acumula pontos ou é beneficiário do INSS.
8. Atenção ao uso do CPF
Imagem: Reprodução/Receita Federal – Canva
Embora muitas farmácias peçam CPF para liberar descontos, isso pode ser uma prática abusiva. O consumidor não é obrigado a fornecer dados pessoais para ter acesso a preços justos e acessíveis.
Fique atento aos seus direitos
De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), algumas farmácias têm usado o preço máximo como valor de referência, oferecendo “descontos” somente após a coleta do CPF, o que pode violar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Órgãos de fiscalização já estão atuando nesses casos, e consumidores devem denunciar práticas abusivas.