A Anvisa aprovou um medicamento inédito no Brasil para o tratamento do Alzheimer em fase inicial. O donanemabe, nome comercial Kisunla, é o primeiro remédio com indicação específica para casos sintomáticos leves da doença, marcando um passo significativo no enfrentamento da demência mais comum entre os idosos.
O remédio, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, age diretamente sobre as placas de proteína beta-amiloide no cérebro, um dos principais fatores associados ao desenvolvimento do Alzheimer. Apesar da expectativa, sua eficácia e segurança ainda geram debates na comunidade médica mundial.
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O que é o donanemabe e como ele age no cérebro
Um anticorpo monoclonal que ataca a beta-amiloide
O donanemabe é um anticorpo monoclonal que atua se ligando à proteína beta-amiloide, comum em cérebros afetados pelo Alzheimer. Ao se fixar nesses aglomerados, ele favorece sua redução, o que pode retardar a evolução dos sintomas cognitivos.
Primeiros estudos e aprovação internacional
O medicamento foi aprovado nos Estados Unidos em julho de 2023 e, desde então, passou a ser alvo de intensas análises científicas. No Brasil, sua autorização pela Anvisa foi condicionada ao monitoramento de sua efetividade e segurança.
Estudos clínicos com resultados moderados
Em ensaios com 1.736 pacientes em estágio inicial da doença, o donanemabe demonstrou redução estatística na progressão clínica da demência. Os dados ainda são considerados preliminares, mas encorajadores.
Indicações e contraindicações do donanemabe
Indicação restrita a estágios iniciais
A aprovação do medicamento se limita a pessoas diagnosticadas com Alzheimer leve ou comprometimento cognitivo leve associado à doença. Seu uso requer prescrição médica e acompanhamento regular.
Contraindicações importantes
Não é recomendado para pacientes que utilizam anticoagulantes, como varfarina, ou que tenham angiopatia amiloide cerebral. Também é contraindicado para quem possui o gene da apolipoproteína E4, relacionado a maior risco de efeitos colaterais.
Reações adversas mais comuns
As reações incluem febre, dores de cabeça e sintomas semelhantes aos da gripe. Tais efeitos são, em geral, transitórios e relacionados à aplicação intravenosa do medicamento.
A polêmica internacional sobre a eficácia do donanemabe
Divergência entre agências reguladoras
Enquanto a Comissão Europeia aprovou recentemente o uso do lecanemabe, outro medicamento da mesma classe, a EMA recomendou a recusa do donanemabe para tratamento do Alzheimer em março de 2025.
Especialistas questionam o custo-benefício
Alguns neurologistas afirmam que, apesar de promissor, o donanemabe oferece benefícios clínicos modestos. Seu custo elevado e as incertezas a longo prazo são pontos que geram controvérsias.
Como será a aplicação e distribuição no Brasil
Aplicação mensal em ambiente clínico
O medicamento será vendido sob o nome Kisunla, em ampolas de 20 ml, e deve ser administrado uma vez por mês por via intravenosa, em ambiente clínico e sob supervisão médica.
Disponibilidade na rede pública ainda é incerta
Até o momento, o donanemabe não está disponível no SUS. A decisão sobre sua incorporação ao sistema público dependerá de análises de custo-efetividade conduzidas pela Conitec.
Entenda a progressão da doença de Alzheimer
Estágios clínicos da demência
A doença de Alzheimer é neurodegenerativa e progressiva. Sua evolução é dividida em quatro fases:
- Fase inicial: perda de memória recente, mudanças de humor e confusão leve.
- Fase moderada: dificuldade para realizar tarefas simples, fala comprometida e insônia.
- Fase avançada: dependência para atividades básicas, incontinência e perda de coordenação.
- Fase terminal: acamamento, infecções frequentes e comprometimento total das funções cognitivas.
O papel da Anvisa no monitoramento do tratamento
A aprovação do donanemabe no Brasil está condicionada a um acompanhamento rigoroso de seus efeitos. A Anvisa deve solicitar à farmacêutica relatórios periódicos e poderá rever a autorização em caso de efeitos adversos significativos.
Fiscalização contínua para garantir segurança
A farmacovigilância será conduzida em parceria com hospitais, clínicas e médicos prescritores, com base em protocolos estabelecidos em outros países onde o medicamento já está em uso.
Alzheimer no Brasil: números e desafios
Estima-se que cerca de 1,2 milhão de brasileiros vivam com Alzheimer, número que tende a crescer com o envelhecimento da população. O diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento são os maiores desafios enfrentados por pacientes e familiares.

A aprovação do donanemabe pela Anvisa representa um avanço importante no enfrentamento do Alzheimer, embora ainda envolva incertezas. O medicamento traz uma esperança moderada aos pacientes em fase inicial da doença, com potencial para atrasar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
No entanto, sua eficácia limitada e o alto custo levantam discussões éticas e econômicas sobre sua incorporação no sistema de saúde pública. Cabe agora às autoridades reguladoras e à comunidade médica acompanhar de perto seus desdobramentos e garantir que a inovação venha acompanhada de responsabilidade e equidade no acesso.




