Em 2025, os medicamentos terão o menor reajuste médio desde 2018. A resolução publicada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) na última segunda-feira (31) no Diário Oficial da União trouxe uma notícia que, para muitos, é motivo de alívio: os preços dos remédios não sofrerão grandes aumentos, mesmo com a inflação alta.
A partir deste ano, o reajuste dos medicamentos segue uma estrutura que foi desenhada para manter o mercado equilibrado e ainda assim proteger o bolso dos consumidores. A principal novidade está no aumento máximo de 5,06% para uma parcela reduzida de medicamentos, enquanto a maior parte das drogas terá um aumento de apenas 2,6%.
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Vamos entender como os reajustes são calculados, quais são os níveis de aumento e o impacto dessa nova regulamentação no mercado de medicamentos.
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O que determina o reajuste dos medicamentos?

Todo ano, os preços dos medicamentos sofrem um reajuste conforme uma fórmula definida pela Cmed, com base na inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Essa fórmula também leva em consideração a concorrência entre os fabricantes, custos de produção e outros fatores econômicos que afetam diretamente os preços.
A resolução de 2025 determina que, embora o teto de reajuste tenha ficado em 5,06%, apenas 7% dos medicamentos estarão sujeitos a esse aumento. O restante, que representa a maior parte do mercado, verá aumentos bem mais modestos, de 2,6%.
Aumento máximo de 5,06%: o que significa para os consumidores?
O aumento de 5,06% é o limite para uma pequena parcela de medicamentos, classificados no “Nível 1”. Esses remédios pertencem a mercados com pouca concorrência e representam apenas 7% do total de medicamentos comercializados no Brasil. Embora o aumento seja significativo, ele afeta uma minoria de produtos. Para os consumidores, a boa notícia é que a maior parte dos medicamentos, que estão no Nível 2 (aumento de 3,83%) e Nível 3 (aumento de 2,6%), terão aumentos bem mais suaves.
Como o aumento de 2025 se compara aos anos anteriores?
O reajuste de 2025 é um alívio para quem está acostumado com os aumentos expressivos dos últimos anos. A comparação histórica mostra que, apesar de o aumento de 5,06% no Nível 1 ser superior ao de 2024 (4,5%), ele ainda é inferior ao de 2023 (5,6%).
O mais interessante é que os aumentos nos Níveis 2 e 3, que representam 92% dos medicamentos, são os mais baixos desde 2018. Isso reflete a situação mais estável do mercado de medicamentos e um esforço para manter os preços controlados.
Como é feito o cálculo do reajuste?
O cálculo do reajuste é feito por meio de uma série de parâmetros estabelecidos pela Lei 10.742/2003, que regula o setor de medicamentos no Brasil. A fórmula leva em conta a inflação oficial do país (IPCA), além de três fatores específicos para ajustar os preços dos medicamentos:
- Fator X: Representa a produtividade da indústria farmacêutica. Em 2025, o fator de produtividade teve um ganho de 2,459%, o que ajudou a manter os reajustes mais baixos.
- Fator Y: Refere-se aos custos de produção que não são captados pelo IPCA, como tarifas de energia, variação cambial e insumos. Para este ano, o fator Y foi negativo (-0,70904), e, por isso, não será considerado no cálculo do reajuste.
- Fator Z: Ajusta os preços com base na concorrência entre os fabricantes. Medicamentos de mercados mais competitivos, que têm mais alternativas para os consumidores, sofrerão menos reajustes. Já remédios em mercados com maior concentração de fabricantes terão reajustes mais elevados.
Classificação dos medicamentos e os diferentes reajustes
Os medicamentos são classificados em três níveis de reajuste, de acordo com o grau de concorrência no mercado em que atuam. Veja como os medicamentos são divididos:
Nível 1: 5,06% de reajuste
Esses medicamentos estão em mercados mais concentrados, com baixa concorrência. Representam 7% do total de medicamentos no Brasil e terão o maior aumento, de 5,06%.
Nível 2: 3,83% de reajuste
Representam 15% dos medicamentos. Esses remédios estão em mercados com concorrência moderada e terão um aumento de 3,83%.
Nível 3: 2,6% de reajuste
A maior parte dos medicamentos, cerca de 77%, está classificada no Nível 3, onde a concorrência é maior e os aumentos são menores, com um reajuste de apenas 2,6%.
Impacto no consumidor e no mercado farmacêutico

Este reajuste, sendo o menor desde 2018, trará um impacto mais positivo para o bolso do consumidor. Medicamentos essenciais, como os de uso contínuo, terão aumentos menores, o que ajudará a manter o poder de compra das famílias.
Do ponto de vista do mercado farmacêutico, a regulamentação da Cmed contribui para manter o equilíbrio entre a competitividade e a sustentabilidade dos fabricantes. Empresas de medicamentos precisam repassar o reajuste conforme a reposição de estoques, o que significa que o impacto no preço final só ocorrerá quando os remédios forem reabastecidos nas farmácias.
Perguntas frequentes sobre o reajuste de medicamentos em 2025
O que é a Cmed?
A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) é o órgão responsável por regular os preços dos medicamentos no Brasil, garantindo que os aumentos sejam justos e não causem impactos negativos na saúde da população.
Como é calculado o reajuste dos medicamentos?
O reajuste dos medicamentos é calculado com base no IPCA e em três fatores específicos: Fator X (produtividade), Fator Y (custos de produção) e Fator Z (concorrência). Esses fatores determinam o aumento dos preços de acordo com a classe de cada medicamento.
Todos os medicamentos terão aumento?
Não. Apenas 7% dos medicamentos sofrerão o aumento máximo de 5,06%. A maioria (77%) terá um aumento bem mais baixo, de 2,6%.
Quando o reajuste entra em vigor?
O reajuste de medicamentos é aplicado anualmente, no dia 31 de março, e ocorre quando os estoques nas farmácias são repostos.
Qual foi o impacto do reajuste em 2025?
O reajuste de 2025 é o menor desde 2018, trazendo uma boa notícia para os consumidores, que sentirão menos o impacto no bolso ao comprar remédios essenciais.
Imagem: Freepik




