O sistema de pagamentos instantâneos do Pix tem experimentado um crescimento exponencial desde o seu lançamento em 2020, mas, junto com o sucesso, também surgiu um aumento alarmante de fraudes. Dados recentes mostram que, em 2024, as notificações de fraudes no sistema superaram as 390 mil por mês, colocando em alerta tanto as instituições financeiras quanto as autoridades competentes.
Esse aumento no número de fraudes se reflete não apenas na quantidade de ocorrências, mas também nas consequências para os usuários e para a confiança do público no Pix. O Banco Central, responsável pela regulação do sistema, tem trabalhado em novas medidas de segurança, mas especialistas do setor financeiro defendem mudanças mais rigorosas para enfrentar o problema.
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O Crescimento exponencial das fraudes no Pix
A evolução das fraudes no sistema de pagamentos
Em 2021, ano em que o Pix começou a ser amplamente utilizado no Brasil, as fraudes mensais registradas foram 30.892. No ano seguinte, esse número aumentou consideravelmente, alcançando 136.882 fraudes mensais. No entanto, o cenário em 2023 foi ainda mais preocupante, com o número de fraudes alcançando 216.046 ocorrências. O ano de 2024, então, traz dados alarmantes, com mais de 390 mil fraudes sendo registradas mensalmente, um aumento de cerca de 80% em comparação com o ano anterior.
Esse aumento não pode ser ignorado. Se, em 2021, as fraudes representavam uma parcela muito pequena do total de transações realizadas, em 2024, o cenário tornou-se muito mais grave. Apenas em janeiro de 2025, foram registradas 5,682 bilhões de transações no Pix, o que faz com que o aumento das fraudes seja ainda mais impactante em termos absolutos. Embora as fraudes representem uma porcentagem muito pequena do total de transações (aproximadamente 0,007%), o volume absoluto de ocorrências exige uma atenção redobrada.
O impacto no mercado financeiro
O crescimento das fraudes não afeta apenas a confiança dos usuários, mas também a credibilidade do próprio sistema financeiro. Com o aumento das fraudes, especialmente as realizadas através de golpes e estelionatos, os bancos e instituições financeiras estão sendo pressionados a melhorar os seus mecanismos de segurança e a oferecer respostas mais rápidas e eficazes para a devolução de valores aos usuários lesados. Esse cenário tem gerado um intenso debate sobre a necessidade de uma maior regulação do Pix e sobre como a segurança do sistema pode ser aprimorada sem comprometer a agilidade e a praticidade do serviço.
A definição de fraude no Pix
Para que o sistema de segurança funcione de maneira eficiente, é importante entender o que o Banco Central considera como fraude. A definição, de acordo com o manual operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), é bem abrangente. Fraudes incluem transações realizadas sem o consentimento do usuário, realizadas com base em golpes como phishing e engenharia social, transações feitas por terceiros sem o conhecimento do titular da conta, ou realizadas sob coação.
As fraudes têm se tornado mais sofisticadas ao longo do tempo, com criminosos utilizando novas estratégias para enganar os usuários. Essa complexidade aumentada exige que o Banco Central e as instituições financeiras adotem soluções mais robustas para combater o crime.
As respostas do Banco Central e as mudanças no Pix
O Mecanismo Especial de Devolução (MED)
Em resposta ao aumento das fraudes, o Banco Central tem implementado algumas mudanças significativas. Uma das mais aguardadas é a introdução do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que será lançado em outubro de 2024. Este mecanismo permitirá que os usuários solicitam a devolução de recursos de forma mais eficiente e sem a necessidade de entrar em contato diretamente com os bancos, o que deve agilizar o processo e aumentar a segurança dos usuários.
Além disso, desde 2021, o Banco Central implementou outras mudanças no sistema, como a criação de limites para transações realizadas à noite e a exigência de cadastro prévio para contas que possam receber valores acima dos limites estabelecidos. Tais medidas visam dificultar a realização de fraudes, especialmente aquelas realizadas durante horários de menor supervisão ou envolvendo valores elevados.
A fiscalização do Banco Central e a cooperação entre as instituições
Em 2022, o Banco Central intensificou sua fiscalização sobre a abertura de contas digitais, com um foco específico no uso de “contas-laranja” – contas utilizadas para transferir recursos de crimes. A autoridade reguladora também criou um sistema de compartilhamento de dados entre as instituições financeiras, permitindo que as informações sobre fraudes possam ser acessadas de maneira mais eficiente.
Em 2023, outra medida importante foi a implementação de limites para transações realizadas em dispositivos não cadastrados, que passaram a ser limitadas a R$ 200 por transação, com um teto diário de R$ 1.000. Em dispositivos cadastrados, os limites podem ser mais altos, mas sempre sob a supervisão das instituições financeiras.
O papel da tecnologia na prevenção
Além das medidas regulatórias, a tecnologia desempenha um papel crucial na prevenção das fraudes. Ferramentas como o uso de inteligência artificial para detectar padrões de comportamento suspeitos em tempo real e o uso de autenticação biométrica têm sido cada vez mais implementadas pelos bancos, no intuito de aumentar a segurança dos usuários.
O Banco Central também tem incentivado o uso de tecnologias de ponta no combate à fraude, mas especialistas acreditam que as ferramentas tecnológicas devem ser sempre acompanhadas por uma fiscalização rigorosa para garantir que o sistema funcione de maneira segura e eficiente.
Propostas do setor financeiro
Punição mais rigorosa para contas-laranja
Uma das propostas defendidas pelos grandes bancos é a criação de punições mais severas para clientes que utilizam contas-laranja para realizar transações fraudulentas. A proposta sugere que os clientes que emprestam suas contas para o escoamento de recursos de crimes sejam banidos do sistema por até cinco anos. No entanto, essa punição não afetaria o recebimento de salários ou benefícios sociais, como aposentadorias ou bolsas de assistência.
Além disso, os bancos defendem que os dirigentes de instituições financeiras com altos índices de fraudes sejam responsabilizados pessoalmente. Acredita-se que isso funcionaria como um incentivo para que as instituições adotem medidas de segurança mais rígidas e invistam em tecnologias que possam prevenir as fraudes de maneira mais eficaz.

Avanços nas ferramentas de segurança
Embora o Banco Central tenha avançado significativamente nas medidas de segurança, o setor financeiro acredita que ainda há muito a ser feito. Uma maior colaboração entre as instituições financeiras e as autoridades reguladoras é necessária para garantir que o Pix continue sendo uma plataforma segura para os usuários. A criação de novas ferramentas de segurança e o aprimoramento das existentes devem ser prioridades para os próximos anos.
O aumento das fraudes no Pix em 2024 é um reflexo da crescente popularidade do sistema de pagamentos, mas também de uma sofisticação cada vez maior por parte dos criminosos. Embora o Banco Central e as instituições financeiras tenham adotado diversas medidas para enfrentar esse problema, o setor continua a buscar soluções mais eficazes, especialmente no que diz respeito à fiscalização e à punição de quem utiliza o sistema para fins fraudulentos. Para os usuários, é fundamental manter-se alerta e adotar práticas seguras no uso do Pix, como não compartilhar dados pessoais e sempre verificar a autenticidade das transações.




