A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 24 de abril de 2025, a Operação Mortos Vivos, revelando um esquema milionário de fraudes em benefícios sociais como Auxílio Brasil, Bolsa Família e Auxílio Gás. A ação concentrou-se nos municípios de São Luís e São José de Ribamar, no Maranhão, e envolveu servidores públicos que, segundo a investigação, manipulavam dados no CadÚnico.
Com base em dados de pessoas já falecidas, especialmente do estado do Pará, o grupo fraudava o sistema para obter indevidamente benefícios sociais. A estimativa inicial da Polícia Federal é que o rombo aos cofres públicos ultrapasse R$ 700 mil, um valor que pode crescer com o avanço das investigações.
Abaixo você pode continuar a
leitura do artigo

LEIA MAIS:
- IR 2025: Apenas 1 em cada 3 contribuintes declarou; veja o prazo final!
- IR 2025: veja como declarar carro ou moto pode te dar vantagem
- IR 2025: nova regra isenta aposentados a partir desta faixa etária; confira
Como funcionava o esquema fraudulento
Uso indevido do CadÚnico e a participação de servidores públicos
De acordo com a apuração da PF, o grupo criminoso atuava diretamente no Cadastro Único, ferramenta essencial para acesso a programas sociais federais. Utilizando informações de pessoas falecidas, os fraudadores inseriam registros falsificados no sistema, criando perfis ativos para recebimento dos benefícios.
A participação de servidores públicos foi crucial para viabilizar o esquema. Localizados em unidades do CadÚnico de São Luís e São José de Ribamar, eles eram responsáveis por autorizar e validar os cadastros fraudulentos, permitindo o desvio de valores para contas controladas pelos criminosos.
Técnicas utilizadas para mascarar a fraude
Os fraudadores empregavam diversas técnicas para tornar os registros falsos mais críveis. Entre elas, a utilização de endereços fictícios, falsificação de documentos de identidade e a abertura de contas bancárias em nome de “laranjas” para movimentar os recursos.
Além disso, muitas vezes os cadastros eram realizados com dados alterados de beneficiários legítimos, o que dificultava a detecção da fraude pelos sistemas tradicionais de fiscalização.
Detalhes da operação Mortos Vivos
Mandados cumpridos e medidas judiciais
Nesta primeira fase da operação, a Polícia Federal executou:
- 5 mandados de busca e apreensão;
- 1 mandado de prisão preventiva;
- 3 medidas cautelares de afastamento de função pública.
Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal do Maranhão, e as ações ocorreram tanto nas residências dos suspeitos quanto em órgãos públicos.
A apreensão de documentos, computadores e celulares deve auxiliar na ampliação do inquérito, possibilitando identificar outros envolvidos e mensurar o real impacto financeiro da fraude.
Crimes investigados e possíveis punições
Os investigados podem responder pelos crimes de:
- Estelionato majorado (art. 171, §3º, do Código Penal);
- Inserção de dados falsos em sistema de informações (art. 313-A do Código Penal);
- Associação criminosa (art. 288 do Código Penal).
Somadas, as penas ultrapassam 20 anos de reclusão, além de multa e a obrigatoriedade de devolução dos valores desviados.
Fraudes em programas sociais: um problema recorrente
Histórico de irregularidades no Auxílio Brasil e Bolsa Família
Fraudes em benefícios sociais não são novidade no Brasil. O Tribunal de Contas da União (TCU) já apontou irregularidades em programas como o Auxílio Emergencial, com o pagamento indevido de bilhões de reais.
Esses desvios geram não apenas prejuízos aos cofres públicos, mas também graves consequências sociais. A cada benefício fraudado, uma família em real situação de vulnerabilidade deixa de receber o suporte necessário para sua sobrevivência.
Impacto na confiança pública e necessidade de fiscalização
A ocorrência de fraudes compromete a confiança da população nos programas sociais e amplia a sensação de injustiça. Muitas famílias que deveriam ser amparadas pelo Estado acabam ficando à margem dos auxílios, prejudicando a função social do benefício.
Por isso, reforçar mecanismos de controle, transparência e auditoria é fundamental para garantir a efetividade e justiça dos programas assistenciais.
Medidas para evitar novas fraudes
Investimento em tecnologia e cruzamento de dados
Especialistas defendem que o fortalecimento da segurança no CadÚnico depende da adoção de tecnologias avançadas. Entre as iniciativas sugeridas estão:
- Implementação de biometria facial para confirmação da identidade dos beneficiários;
- Integração de dados com cartórios para bloqueio imediato de CPFs de falecidos;
- Cruzamento de informações com a Receita Federal e o INSS para verificar inconsistências em declarações de renda e vínculos empregatícios.
Além disso, atualizações periódicas no cadastro e visitas domiciliares podem ajudar a confirmar a real existência e condição socioeconômica dos inscritos.
Ações do governo federal
Desde 2023, o governo federal vem promovendo uma série de atualizações no sistema do Bolsa Família, incluindo a exigência de prova de vida para determinados grupos e auditorias frequentes para identificar inconsistências.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social reforçou, após a deflagração da Operação Mortos Vivos, seu compromisso com a transparência e anunciou a ampliação das equipes de fiscalização.
O que diz o Governo Federal
Nota oficial do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social
Em resposta à operação, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) informou que:
- Está colaborando com as investigações;
- Afasta preventivamente servidores envolvidos até o fim dos processos administrativos;
- Reforça os procedimentos de checagem para novos cadastros;
- Trabalha na modernização do sistema CadÚnico com tecnologias de reconhecimento biométrico.
A pasta destacou que o objetivo é assegurar que os recursos cheguem às famílias que realmente se enquadram nos critérios de vulnerabilidade.

A importância de proteger os programas sociais
A Operação Mortos Vivos escancara uma realidade preocupante: a fragilidade ainda existente nos mecanismos de controle de benefícios sociais no Brasil. A utilização de dados de pessoas falecidas para desviar recursos públicos representa uma dupla violência — contra o Estado e, principalmente, contra a população em situação de vulnerabilidade.
É imprescindível que, além da punição rigorosa aos responsáveis, sejam implementadas melhorias estruturais e tecnológicas capazes de blindar o sistema de novas fraudes. A proteção dos programas sociais é essencial para assegurar a dignidade das famílias mais necessitadas e promover uma sociedade mais justa e igualitária.




