O comércio eletrônico brasileiro acaba de ganhar um novo competidor nacional. Os Correios anunciaram o lançamento do Mais Correios, um marketplace próprio que promete democratizar o acesso ao e-commerce em todas as regiões do país.
A proposta surge em um momento decisivo para a estatal, que busca diversificar suas fontes de receita diante de um cenário fiscal desafiador. O movimento mira diretamente nos gigantes internacionais, como Shopee e Shein, que já dominam o mercado nacional.
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Correios no e-commerce: uma estratégia para o futuro
O crescimento das vendas online no Brasil tem sido impulsionado por plataformas estrangeiras que oferecem produtos com preços baixos e entrega ágil. No entanto, os Correios querem virar esse jogo com uma aposta baseada em sua capilaridade logística.
Segundo o presidente da empresa, Fabiano Silva dos Santos, os Correios possuem estrutura para entregar em todos os municípios do país, o que representa uma vantagem estratégica frente aos concorrentes. Ele destaca: “Somos o único marketplace brasileiro com entrega própria em todo o território nacional”.
Em regiões mais afastadas, especialmente no Norte e Nordeste, o consumidor frequentemente encontra dificuldades para receber produtos com o mesmo padrão de entrega oferecido nos grandes centros urbanos. A promessa da estatal é preencher essa lacuna com mais acesso e inclusão.
Mais Correios: Concorrência com Shopee, Shein e AliExpress
Os principais desafios do novo marketplace estão relacionados à presença dominante das plataformas estrangeiras. Shopee, Shein e AliExpress vendem produtos com valores mais baixos, muitas vezes isentos de tributos, e com promoções bastante agressivas.
Para competir nesse cenário, o Mais Correios terá que:
- Oferecer preços competitivos;
- Melhorar a experiência de navegação;
- Garantir eficiência logística;
- Estabelecer políticas de suporte acessíveis ao cliente.
Embora o caminho seja desafiador, os Correios contam com o reconhecimento da marca entre os brasileiros e um histórico consolidado de prestação de serviços, o que pode gerar confiança entre lojistas e consumidores.
Investimentos e estrutura do novo marketplace
Para viabilizar a entrada no e-commerce, o governo federal anunciou um aporte de R$ 800 milhões nos Correios. O valor será destinado à modernização das operações e ao desenvolvimento da estrutura digital da empresa.
O Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, afirmou que a iniciativa é estratégica para aumentar a competitividade no setor e ampliar o acesso da população ao comércio eletrônico. O investimento busca posicionar os Correios como uma alternativa real e funcional frente aos marketplaces estrangeiros.
Esses recursos serão utilizados para:
- Aprimorar a infraestrutura de entregas;
- Desenvolver tecnologias para a nova plataforma;
- Capacitar o atendimento ao consumidor e lojista;
- Criar uma operação logística integrada e eficiente.
Diferenciais e desafios do Mais Correios
O novo marketplace aposta em diferenciais como a capilaridade nacional, a marca tradicional dos Correios e o suporte aos pequenos e médios empreendedores que enfrentam dificuldades para competir nos grandes canais de venda.
Entretanto, o projeto também enfrenta riscos consideráveis. A estatal precisará oferecer um ambiente de compra competitivo, aliado à confiabilidade nas entregas e ao bom relacionamento com vendedores.
Primeiros passos e modelo de negócios
No lançamento, o Mais Correios estará focado na adesão de grandes lojistas, com a estruturação da plataforma voltada inicialmente para garantir robustez e operacionalidade.
A fase seguinte prevê a integração de pequenos e médios empreendedores. Isso permitirá que empresas regionais acessem um canal de vendas nacional sem depender de intermediários estrangeiros ou estruturas logísticas próprias.
Além disso, consumidores de todo o país poderão comprar com a segurança de uma marca nacional e com a garantia de que os produtos chegarão até mesmo nas regiões mais remotas.
Principais desafios para o sucesso do marketplace
- Competição com plataformas estrangeiras
Os marketplaces internacionais operam com margens baixas e produtos altamente subsidiados. Para enfrentar isso, o Mais Correios precisa apresentar vantagens claras para os lojistas, como logística mais barata, isenção de taxas e suporte regionalizado. - Adaptação tecnológica
A usabilidade da plataforma será crucial. A nova interface precisa ser intuitiva, leve e funcional, além de permitir múltiplos meios de pagamento, políticas de devolução transparentes e acompanhamento de entregas. - Logística e prazos de entrega
Apesar da ampla cobertura, os Correios enfrentam críticas por atrasos e falhas. Será necessário investir em rastreamento em tempo real, hubs de distribuição inteligentes e modelos de entrega expressa para competir com o padrão atual do mercado.
Participação da Infracommerce
A operação técnica da plataforma será conduzida pela Infracommerce, empresa especializada em soluções full commerce. A parceria é estratégica para garantir que o marketplace tenha tecnologia de ponta e agilidade operacional desde o início.
A Infracommerce atuará em áreas como:
- Gestão da plataforma digital;
- Integração com sistemas de pagamento;
- Suporte aos lojistas;
- Operações de estoque e distribuição.
Esse modelo híbrido permite que os Correios foquem na logística e relacionamento institucional, enquanto a Infracommerce cuida da experiência digital e infraestrutura técnica.
Perspectivas e expectativas do setor
Especialistas veem a iniciativa com bons olhos, mas alertam para a necessidade de rapidez na execução. A demora em consolidar uma base de usuários e lojistas pode comprometer a atratividade da plataforma.
Se bem executado, o Mais Correios pode representar uma alternativa sólida aos marketplaces internacionais, impulsionando o crescimento de negócios locais e o acesso de mais brasileiros ao comércio digital.

O lançamento do Mais Correios marca uma nova fase para a estatal. A iniciativa busca não apenas recuperar a saúde financeira da empresa, mas também ampliar o acesso de lojistas e consumidores ao comércio digital.
O sucesso dependerá de uma série de fatores: tecnologia, eficiência, preços, logística e confiança. Mas, com a estrutura nacional dos Correios e apoio governamental, o projeto tem potencial para transformar o cenário do e-commerce no Brasil e oferecer uma alternativa mais inclusiva e nacionalizada para milhares de consumidores e vendedores.




