O sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central, o Pix, segue em rápida expansão no Brasil. Dados de 2024 revelam que mais de 63% da população nacional realizou ao menos uma transação via Pix, demonstrando a consolidação da ferramenta no cotidiano financeiro do país.
Contudo, uma análise regional mostra nuances importantes sobre essa adesão. Segundo o estudo “Geografia do Pix”, do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV, a região Sudeste apresenta variações significativas no uso do Pix. O Rio de Janeiro lidera, enquanto Minas Gerais ocupa a última posição no ranking regional.
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Adesão ao Pix no Sudeste: quem usa mais?

Rio de Janeiro lidera com 70,52%
De acordo com os dados, 70,52% da população fluminense já utiliza o Pix, colocando o Rio de Janeiro na primeira posição entre os estados do Sudeste. A alta adesão reforça a digitalização dos meios de pagamento na região metropolitana e interior do estado.
São Paulo vem logo atrás com 70,49%
O estado mais populoso e economicamente forte do país aparece logo em seguida. Em São Paulo, 70,49% da população está inserida no sistema de pagamentos instantâneos. O estado também se destaca no número de transações por mês, com 29 movimentações em média por usuário.
Espírito Santo: adesão intermediária
O Espírito Santo aparece com 64,35% da população aderente ao Pix, uma taxa que, embora inferior à média da região, ainda representa um uso consolidado da ferramenta no estado capixaba.
Minas Gerais: menor adesão da região
O destaque negativo vai para Minas Gerais, onde apenas 61,24% da população utiliza o Pix — abaixo da média regional de 66,7%. Apesar disso, os mineiros estão entre os que movimentam os maiores valores médios por transação.
Valores médios por transação: Minas se destaca
Mesmo com menor adesão, Minas Gerais registra o segundo maior valor médio de transferências via Pix entre os estados do Sudeste. A média é de R$ 217,10, superada apenas por São Paulo, com R$ 221,62.
No Brasil como um todo, a média nacional ficou em R$ 191, sendo o Mato Grosso o estado com o maior valor médio por transação, atingindo R$ 275,44.
Pix no Brasil: dados que impressionam
Além dos dados específicos do Sudeste, o levantamento da FGV aponta que:
- 63% dos brasileiros já fizeram ao menos uma transação via Pix em 2024;
- Amazonas é o estado com maior número de transações por pessoa;
- Santa Catarina é o estado com menor frequência de uso;
- O Pix é utilizado, em média, 29 vezes por mês por cada usuário em São Paulo.
Desafios: segurança digital e fraudes ainda preocupam
Apesar da adesão crescente, fraudes e a segurança digital ainda são pontos de atenção. Segundo Lauro Gonzalez, coordenador do estudo, esses aspectos devem ser priorizados para garantir a confiabilidade do sistema.
“No futuro, o Pix deve se expandir para serviços como crédito, troco, saque e transações internacionais. No entanto, fraudes e segurança digital seguem como desafios a serem mitigados”, destacou o especialista.
Ele também pontuou que o sucesso do Pix se deu graças à liderança do Banco Central, que assumiu o papel de desenvolvimento e regulação, servindo de modelo para outros países.
Casos curiosos: Pacaraima, Roraima, e o fenômeno dos usuários múltiplos
Um dado inusitado revelado pelo estudo foi o do município de Pacaraima (RR). Lá, existem mais de cinco usuários de Pix para cada habitante. A explicação estaria ligada ao fluxo migratório da Venezuela, que impulsiona movimentações financeiras na região.
O que esperar do Pix nos próximos anos?
Expansão de funcionalidades
As perspectivas para o Pix são promissoras. A tendência é que o sistema ganhe novas funções, como:
- Transações internacionais;
- Pix com crédito embutido;
- Pix Saque e Pix Troco em maior escala;
- Uso do Pix para pagamento de serviços públicos e tributos.
Inclusão financeira
A adesão crescente também reforça a inclusão financeira da população. O uso simples e gratuito do Pix permite que pessoas sem acesso a serviços bancários tradicionais possam participar ativamente da economia digital.
Conclusão
O estudo “Geografia do Pix” reforça a importância dessa ferramenta para a transformação do sistema financeiro nacional. A diferença de adesão entre os estados do Sudeste mostra que ainda há desafios a serem superados, como educação digital, segurança cibernética e ampliação da cobertura bancária.
Enquanto o Rio de Janeiro lidera a adesão, Minas Gerais mostra força no valor médio das transações, destacando aspectos distintos da mesma revolução financeira.
O Pix segue seu caminho como uma das maiores inovações no setor bancário brasileiro, com potencial para continuar impactando positivamente o cotidiano da população.
Imagem: Freepik



