Desde a criação do Pix, em novembro de 2020, cerca de 47,9 milhões de chaves Pix foram expostas em incidentes de segurança envolvendo instituições financeiras e entidades participantes do sistema, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
O número chama atenção, mas a própria autoridade monetária esclarece que os episódios envolvem exposição de dados cadastrais vinculados às chaves, e não acesso direto às contas bancárias dos usuários.
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Entre os incidentes registrados, o maior ocorreu em 2025, quando um problema envolvendo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) resultou na exposição de dados associados a aproximadamente 46 milhões de chaves Pix, vinculadas a cerca de 11 milhões de pessoas.
Apesar da dimensão dos casos, o Banco Central afirma que o sistema de pagamentos instantâneos continua seguro, pois os incidentes não permitiram movimentação de dinheiro nem acesso a informações protegidas por sigilo bancário.
O que são as chaves Pix
As chaves Pix funcionam como identificadores que permitem realizar transferências instantâneas entre contas bancárias.
Em vez de informar agência, conta e outros dados bancários, o usuário pode utilizar um identificador simples, como:
- CPF ou CNPJ
- número de telefone
- chave aleatória gerada pelo sistema
Essas chaves ficam registradas em uma base centralizada administrada pelo Banco Central, conhecida como Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT).
É justamente nesse banco de dados que ocorreram os incidentes registrados ao longo dos últimos anos.
O que são consultas irregulares ao sistema do Pix
Grande parte dos incidentes envolvendo chaves Pix ocorre devido a consultas indevidas ao DICT, sistema responsável por relacionar cada chave à conta bancária do usuário.
Essas consultas deveriam ocorrer apenas quando existe uma transação Pix legítima, mas em alguns casos instituições acabam acessando o sistema de forma irregular.
Como funcionam essas consultas indevidas
As consultas irregulares geralmente acontecem quando:
- instituições realizam buscas no DICT sem que haja uma transferência Pix associada
- sistemas automatizados fazem consultas em grande volume
- há falhas de controle interno nas instituições participantes
Quando isso ocorre, é possível visualizar alguns dados cadastrais vinculados às chaves.
Entre eles:
- nome do titular
- instituição financeira
- número da agência
- número da conta parcialmente mascarado
Segundo o Banco Central, essas informações não permitem acessar contas nem realizar transferências.
Mesmo assim, os casos são classificados como incidentes de segurança e precisam ser divulgados publicamente.
Quais dados foram expostos nos incidentes
De acordo com o Banco Central, os episódios registrados ao longo dos últimos anos envolveram apenas dados cadastrais básicos associados às chaves Pix.
Entre as informações que podem ter sido expostas estão:
- nome do usuário
- instituição financeira vinculada à chave
- número da agência
- parte do número da conta bancária
Esses dados aparecem parcialmente mascarados, o que limita o risco de uso indevido.
O que não foi exposto
O BC enfatiza que dados protegidos por sigilo bancário não foram comprometidos.
Isso significa que as seguintes informações permanecem seguras:
- senhas bancárias
- saldos de contas
- extratos
- histórico de transações
- limites de crédito
Além disso, os dados expostos não permitem realizar transferências ou movimentar dinheiro.
Principais incidentes envolvendo chaves Pix
Desde o lançamento do Pix, o Banco Central divulgou diversos episódios envolvendo exposição de dados associados às chaves.
Embora muitos tenham sido pontuais e de menor escala, alguns casos chamaram atenção pelo volume de registros.
Incidentes registrados em 2021
Nos primeiros anos do Pix, dois casos foram divulgados envolvendo instituições participantes:
- Banco do Estado de Sergipe: cerca de 414 mil chaves expostas
- Acesso Soluções de Pagamento: aproximadamente 160 mil chaves expostas
Esses episódios ocorreram devido a falhas operacionais nas instituições.
Incidente registrado em 2022
Outro caso ocorreu envolvendo a empresa:
- Abastece Ai Clube Automobilista Payment: cerca de 137 mil chaves expostas
Assim como nos episódios anteriores, o problema esteve relacionado a consultas irregulares ao DICT.
Incidente registrado em 2024
Em 2024, o Banco Central também comunicou um episódio envolvendo a empresa:
- 99Pay Instituição de Pagamento: cerca de 39 mil chaves expostas
Embora o volume tenha sido menor, o caso reforçou a necessidade de aprimorar controles de segurança nas instituições participantes.
Maior incidente ocorreu em 2025
O maior episódio envolvendo chaves Pix aconteceu em 2025, quando um incidente envolvendo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) resultou na exposição de 46 milhões de chaves Pix.
Esse evento sozinho representa a maior parte dos registros acumulados desde a criação do sistema.
Caso mais recente envolveu instituição financeira
O episódio mais recente divulgado pelo Banco Central envolveu o Agibank, que registrou exposição de pouco mais de 5 mil chaves Pix.
Embora o volume seja considerado pequeno em comparação a outros casos, o incidente reforça a política de transparência adotada pelo regulador.
Por que o Banco Central divulga esses casos
O Banco Central adotou desde a criação do Pix uma política de transparência em relação a incidentes de segurança.
Sempre que ocorre exposição indevida de dados vinculados às chaves Pix, o órgão comunica o caso publicamente.
O objetivo é:
- informar os usuários
- reforçar práticas de segurança
- exigir correções das instituições envolvidas
- aumentar a confiança no sistema financeiro
Essa transparência é considerada importante para manter a credibilidade do Pix, que hoje é o meio de pagamento mais utilizado no Brasil.
Pix se tornou o principal meio de pagamento do país
Desde seu lançamento, o Pix passou por crescimento acelerado e se consolidou como uma das principais ferramentas de pagamento do Brasil.
Segundo o próprio Banco Central, o sistema já ultrapassa centenas de milhões de transações por dia, sendo utilizado por:
- pessoas físicas
- empresas
- órgãos públicos
O Pix também se tornou fundamental para serviços como:
- pagamento de contas
- transferências entre pessoas
- compras online
- pagamentos em estabelecimentos comerciais
Essa popularização torna ainda mais importante o monitoramento constante da segurança do sistema.
Banco Central afirma que o Pix continua seguro
Apesar dos incidentes divulgados, o Banco Central reforça que a infraestrutura do Pix não foi comprometida.
Segundo o regulador, os episódios estão ligados principalmente a falhas operacionais em instituições participantes, e não ao funcionamento do sistema central.
O BC também afirma que acompanha continuamente os casos e pode aplicar medidas quando identifica irregularidades.
Entre as ações possíveis estão:
- advertências
- multas
- determinações de correção de sistemas
- sanções administrativas
O que os usuários podem fazer para aumentar a segurança
Mesmo com o sistema considerado seguro, especialistas recomendam algumas práticas para aumentar a proteção das contas bancárias.
Entre elas:
- ativar autenticação em duas etapas nos aplicativos bancários
- evitar compartilhar dados pessoais
- desconfiar de mensagens que pedem confirmação de chaves Pix
- nunca clicar em links enviados por desconhecidos
Essas medidas ajudam a reduzir o risco de golpes que utilizam engenharia social para tentar enganar usuários.
Transparência ajuda a fortalecer o sistema financeiro
A divulgação de incidentes envolvendo chaves Pix pode gerar preocupação entre os usuários, mas especialistas apontam que a transparência adotada pelo Banco Central é positiva.
Ao informar publicamente os episódios e exigir correções das instituições participantes, o regulador busca fortalecer a segurança do sistema e manter a confiança da população.
O Pix se tornou uma das maiores inovações do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos e continua sendo aprimorado para garantir mais segurança e eficiência nas transações digitais.




