A Reforma da Previdência, em vigor desde 13 de novembro de 2019, alterou profundamente o caminho até a aposentadoria no Brasil. Com novas exigências e o fim da aposentadoria exclusivamente por tempo de contribuição, muitos segurados que já estavam no sistema antes da mudança passaram a contar com regras de transição — alternativas criadas para suavizar a migração entre os modelos antigo e novo.
Com o passar dos anos, essas regras passam por atualizações. Em 2025, os requisitos para se aposentar pelas regras de transição mudaram mais uma vez, o que exige atenção e planejamento por parte dos trabalhadores. Este artigo explica cada uma das regras em vigor, com exemplos práticos e os impactos no valor final do benefício.
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O que são as regras de transição da aposentadoria?

As regras de transição foram criadas para proteger os trabalhadores que já contribuíam para o INSS antes da entrada em vigor da Reforma da Previdência, mas que ainda não haviam cumprido os requisitos antigos para se aposentar.
Elas funcionam como um “meio-termo” entre o sistema anterior, mais flexível, e as novas regras permanentes, que impõem idades mínimas e novas formas de cálculo. Essas regras são temporárias e serão extintas gradualmente até 2033.
Quais são as regras de transição da aposentadoria em 2025?
Atualmente, existem cinco regras principais de transição, cada uma com exigências e impactos diferentes. Veja abaixo:
1. Aposentadoria por idade na transição
Para quem vale: trabalhadores que já contribuíam antes de 13/11/2019.
Requisitos em 2025:
- Mulheres: 62 anos de idade + 15 anos de contribuição.
- Homens: 65 anos de idade + 15 anos de contribuição.
Importante: quem começou a contribuir após 2019 precisa de 20 anos de contribuição, no caso dos homens.
Cálculo do benefício:
- 60% da média de todos os salários desde julho de 1994 + 2% ao ano extra.
2. Aposentadoria por pontos
É a regra que soma idade e tempo de contribuição.
Requisitos em 2025:
- Mulheres: 92 pontos + mínimo de 30 anos de contribuição.
- Homens: 102 pontos + mínimo de 35 anos de contribuição.
Exemplo: Uma mulher com 30 anos de contribuição e 62 anos de idade atinge os 92 pontos e pode se aposentar.
Cálculo do benefício:
- 60% da média dos salários + 2% por ano extra.
3. Idade mínima progressiva
Aqui, além do tempo de contribuição, exige-se uma idade mínima que sobe 6 meses a cada ano.
Requisitos em 2025:
- Mulheres: 59 anos + 30 anos de contribuição.
- Homens: 64 anos + 35 anos de contribuição.
Como começou:
- Em 2019: mulheres com 56 anos e homens com 61.
- A progressão segue até atingir 62 anos (mulheres) e 65 anos (homens) em 2031.
4. Pedágio de 50%
Essa regra é para quem, em 13/11/2019, estava a menos de dois anos de atingir o tempo mínimo de contribuição.
Requisitos:
- Mulheres: 30 anos de contribuição + 50% do tempo que faltava.
- Homens: 35 anos de contribuição + 50% do tempo que faltava.
Sem idade mínima.
Cálculo do benefício:
Inclui o fator previdenciário, que pode reduzir o valor caso o trabalhador se aposente mais jovem.
5. Pedágio de 100%
Voltada a quem estava longe de cumprir os requisitos em 2019, mas ainda próximo da aposentadoria.
Requisitos em 2025:
- Mulheres: 57 anos + 30 anos de contribuição + pedágio de 100%.
- Homens: 60 anos + 35 anos de contribuição + pedágio de 100%.
Exemplo:
Se faltavam 3 anos em 2019, agora precisa contribuir por 6 anos.
Cálculo:
Integral, sem fator previdenciário. Benefício mais vantajoso.
Qual a melhor regra de transição para você?
A resposta depende de vários fatores:
- Sua idade em 2019;
- Quanto tempo já contribuiu;
- Quanto tempo faltava para se aposentar na época da reforma;
- Sua expectativa de valor do benefício;
- Se pretende se aposentar mais cedo ou esperar um valor maior.
É importante fazer simulações no Meu INSS e, se possível, buscar a orientação de um advogado previdenciário para encontrar a melhor estratégia.
Aposentadoria especial também mudou
Profissionais expostos a agentes nocivos (como químicos, físicos ou biológicos) também passaram a se submeter a regras mais rígidas.
Agora é necessário alcançar uma pontuação mínima (idade + tempo especial), além da exposição contínua. Os tempos exigidos continuam variando:
- 15 anos para atividades de alto risco (ex: mineração);
- 20 anos para risco moderado (ex: metalúrgicos);
- 25 anos para risco leve (ex: enfermeiros, vigilantes armados).
Dica prática: como consultar sua situação

Você pode verificar seu tempo de contribuição, carência e fazer simulações pelo site ou app Meu INSS:
- Acesse meu.inss.gov.br;
- Faça login com seu CPF;
- Clique em “Simular Aposentadoria”;
- Escolha a regra e veja qual se aplica melhor ao seu perfil.
Até quando valem as regras de transição?
As regras de transição são temporárias e devem acabar quando todas as exigências forem igualadas às regras permanentes — o que deve ocorrer até 2033, dependendo da modalidade.
Conclusão: planejar é essencial
A Reforma da Previdência criou um sistema mais rigoroso, mas as regras de transição ainda oferecem alternativas menos rígidas para quem já contribuía antes de 2019. Entender como cada uma funciona em 2025 pode evitar prejuízos e permitir uma aposentadoria mais vantajosa.
Não deixe para a última hora: consulte seus dados no Meu INSS, busque simulações e acompanhe as atualizações das regras ano a ano. Seu futuro financeiro depende dessas escolhas.
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