O governo federal, por meio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, apresentou uma proposta que altera as regras para o pagamento do abono salarial do PIS/Pasep. O principal ponto da mudança é a redução do limite de remuneração para acesso ao benefício, que passará a ser de até 1,5 salário mínimo até 2035.
A medida, que faz parte de um pacote de ajustes fiscais, visa reduzir os custos do programa e direcionar os recursos para trabalhadores de baixa renda. No entanto, a mudança tem gerado controvérsias, já que impactará milhões de brasileiros que atualmente se enquadram nas regras vigentes.
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O que preveem as novas regras?

Atualmente, o abono salarial é concedido a trabalhadores que recebem até dois salários mínimos, o equivalente a R$ 2.824 em 2024. A nova proposta reduz esse limite para R$ 2.640, um valor que será corrigido anualmente pela inflação. O objetivo é que, até 2035, o teto seja estabelecido em 1,5 salário mínimo.
De acordo com o governo, a mudança visa garantir maior sustentabilidade ao programa, ajustando-o à realidade fiscal do país. Contudo, trabalhadores que hoje têm direito ao benefício poderão perder o acesso gradualmente ao longo dos anos.
Regras vigentes para o Abono Salarial
Pelas regras atuais, o abono salarial é destinado aos trabalhadores que atendem aos seguintes critérios:
- Estar cadastrado no PIS/Pasep ou no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) há pelo menos cinco anos;
- Ter trabalhado para empregadores que contribuem para o PIS ou Pasep;
- Ter recebido até dois salários mínimos médios mensais no ano-base;
- Ter exercido atividade remunerada por pelo menos 30 dias no ano-base, consecutivos ou não;
- Ter os dados corretamente informados pelo empregador na RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) ou no eSocial.
O valor do benefício é proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base e varia de R$ 118 a R$ 1.412. O pagamento é realizado pela Caixa Econômica Federal (PIS) e pelo Banco do Brasil (Pasep).
Impacto das mudanças
A proposta afeta diretamente os trabalhadores que recebem entre 1,5 e 2 salários mínimos. Esses brasileiros, que atualmente têm acesso ao abono salarial, perderão o benefício caso a nova regra seja aprovada.
Para compensar, o governo incluiu no mesmo pacote fiscal a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Segundo o ministro Haddad, essas medidas combinadas buscam promover maior justiça social e redistribuir os recursos públicos de forma eficiente.
Quem não tem direito ao Abono Salarial
Algumas categorias já não possuem direito ao abono salarial, mesmo nas regras vigentes. São elas:
- Empregados domésticos;
- Trabalhadores rurais contratados por pessoa física;
- Trabalhadores urbanos contratados por pessoa física;
- Trabalhadores contratados por pessoa física equiparada a jurídica.
Esses grupos não são contemplados porque seus empregadores não contribuem para os programas PIS ou Pasep.
Benefícios e desafios da proposta
A mudança no abono salarial apresenta benefícios e desafios que precisam ser avaliados cuidadosamente.
Benefícios:
- Direcionamento do programa para trabalhadores de renda mais baixa;
- Redução dos gastos públicos, contribuindo para o equilíbrio fiscal;
- Possibilidade de redirecionar recursos para outras áreas prioritárias, como saúde e educação.
Desafios:
- Exclusão de milhões de trabalhadores que dependem do benefício;
- Resistência por parte de sindicatos e entidades representativas;
- Necessidade de articulação política para aprovação da proposta no Congresso Nacional.
Próximos passos
A proposta do governo será submetida à análise do Congresso Nacional, onde deverá enfrentar intenso debate. A medida é vista como necessária para o ajuste fiscal, mas também como uma decisão impopular que pode gerar impactos significativos para trabalhadores de baixa renda.
Enquanto isso, é essencial que a população acompanhe as mudanças e se informe sobre os novos critérios. A transparência e a clareza nas comunicações sobre o tema serão cruciais para que trabalhadores e empregadores possam se adequar às novas regras.
Considerações finais
A proposta de limitar o abono salarial a quem ganha até 1,5 salário mínimo reflete o esforço do governo para ajustar as contas públicas e promover maior justiça na distribuição de benefícios. No entanto, a medida coloca em evidência os desafios de equilibrar austeridade fiscal e proteção social.
O debate em torno do tema será fundamental para definir os rumos do programa e seu impacto na vida dos trabalhadores brasileiros.




