A imagem de figuras públicas está sendo cada vez mais usada por golpistas que querem dar aparência de legitimidade a fraudes digitais. Celebridades como Fátima Bernardes, William Bonner e até o presidente Lula já foram envolvidas em conteúdos falsos usados para enganar vítimas.
O levantamento feito pelo projeto “Será que é golpe?”, da Lupa, revelou que 1 em cada 6 golpes utiliza imagens de famosos. A maioria desses golpes tem como objetivo extorquir dinheiro, geralmente por meio de pix, após a coleta de dados pessoais da vítima.
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Golpes digitais com famosos se tornam padrão
A estratégia é simples e eficaz: ao se deparar com um vídeo ou imagem de uma pessoa conhecida e confiável, o público tende a baixar a guarda. Golpistas sabem disso e usam celebridades como isca.
Segundo o levantamento, 19 das mais de 120 fraudes verificadas envolviam o uso indevido da imagem de pessoas públicas. Isso representa quase 16% das ocorrências, sendo que a maioria envolvia personalidades da televisão.
Apresentadores são os mais visados
Entre os 20 nomes identificados, 60% são jornalistas e apresentadores de TV, como César Tralli, William Bonner e Fátima Bernardes. A familiaridade do público com esses rostos contribui para que a fraude pareça mais crível.
Ratinho, Celso Portiolli e Marcos Mion também foram alvos de criminosos digitais. Até o ator Matheus Nachtergaele, o jogador Paulo Henrique Ganso e o youtuber Giorgio Barone apareceram em conteúdos manipulados para fins ilícitos.
O papel da IA nos golpes modernos
A inteligência artificial passou a ser um facilitador para esses crimes. As técnicas mais sofisticadas envolvem o uso de deep fakes, vídeos manipulados digitalmente para simular fala, voz e gestos de uma pessoa real.
Esses vídeos não apenas mostram a figura da celebridade, mas a fazem parecer estar promovendo determinado produto ou serviço. A ilusão é convincente o suficiente para levar a vítima a clicar e seguir instruções perigosas.
Vídeos falsos impressionam pela naturalidade
Um dos casos mais emblemáticos foi o uso da imagem da atriz Giovanna Ewbank para promover um creme milagroso para a pele. A simulação era tão realista que muitos usuários acreditaram tratar-se de uma campanha verdadeira.
O uso da tecnologia permite que esses conteúdos circulem rapidamente, alcançando milhares de pessoas antes que sejam retirados do ar ou desmentidos pelas próprias vítimas.
Motivações financeiras e esquemas variados
A grande maioria desses golpes tem motivação financeira. Os temas variam bastante, mas a estrutura é parecida: uma promessa de ganho, benefício ou desconto em troca de informações pessoais e o pagamento de uma pequena taxa via pix.
De criptomoedas a produtos de beleza
Há golpes que simulam investimentos em criptomoedas, com promessas de lucros altos e rápidos. Outros se passam por campanhas de programas sociais ou sorteios falsos promovidos por figuras públicas.
Também é comum o uso de rostos famosos para vender produtos “milagrosos” de saúde ou estética. A imagem da celebridade serve como prova social para convencer a vítima de que o produto é confiável e eficaz.
Como funciona a armadilha
Essas fraudes geralmente seguem um padrão:
- Um vídeo ou imagem atrativa com uma celebridade.
- Um discurso apelativo que promete transformação, lucro ou benefício.
- Um link que leva a um site ou formulário de cadastro.
- Pedido de dados pessoais e um pagamento simbólico.
- A vítima não recebe nada ou é redirecionada a outras fraudes.
Quem são os famosos mais usados pelos golpistas?
De acordo com o levantamento da Lupa, os nomes mais usados são:
- Fátima Bernardes
- William Bonner
- César Tralli
- Giovanna Ewbank
- Marcos Mion
- Pablo Marçal
- Luciano Hang
- Nikolas Ferreira
- Ratinho
- Celso Portiolli
- Matheus Nachtergaele
- Paulo Henrique Ganso
- Giorgio Barone
- Lula
- Jair Bolsonaro
A diversidade dos nomes indica que qualquer figura de destaque pode ser alvo. Estão na lista desde políticos a influenciadores digitais.
Como se proteger de golpes com deep fake?
Com o aumento da sofisticação das fraudes, a principal arma do cidadão é a informação. Entender como funcionam os golpes e desconfiar de promessas muito boas são passos essenciais.
Dicas de prevenção:
- Desconfie de promessas de ganho fácil.
- Sempre verifique a fonte do conteúdo.
- Procure o perfil oficial da celebridade antes de clicar em links.
- Use ferramentas de checagem de fatos, como as da Lupa.
- Não forneça dados pessoais em formulários suspeitos.
- Evite fazer pagamentos antecipados por pix.
Ferramentas de verificação são aliadas
Iniciativas como o “Será que é golpe?” têm ajudado a mapear e divulgar golpes em tempo real. Compartilhar essas informações nas redes sociais também ajuda outras pessoas a não caírem na armadilha.
O desafio de combater fraudes digitais com IA
Enquanto as plataformas sociais e os serviços de verificação de fatos tentam mitigar os impactos desses golpes, os golpistas também evoluem. A IA permite criar conteúdos em escala e com aparência realista, o que dificulta o controle.
As plataformas precisam agir
Sites e redes sociais como YouTube, Instagram e Facebook têm sido usados como meio de disseminação dessas fraudes. Filtros mais rigorosos e denúncias mais ágeis são parte da solução.
Especialistas defendem que é preciso investir em educação digital, políticas de detecção automatizada e responsabilização dos infratores.

A crescente utilização de celebridades em golpes digitais é um alerta para todos os usuários da internet. A associação da imagem de pessoas públicas com promessas falsas não é nova, mas ganhou proporções maiores com o uso da inteligência artificial.
Vídeos manipulados e imagens falsas tornam esses golpes mais críveis, ampliando seu alcance e poder de convencimento. É fundamental que os usuários estejam atentos, verifiquem as informações e não compartilhem conteúdos sem checar a veracidade.
Mais do que nunca, a cautela digital deve ser parte do dia a dia de todos os internautas.




