Em 2024, o Brasil testemunhou um aumento significativo nas tentativas de golpes financeiros, conforme revelado por um levantamento da Serasa Experian. O número de fraudes ultrapassou 11,5 milhões, o que representa uma média de 2,8 golpes por segundo. Esse ritmo alarmante revela uma verdadeira epidemia silenciosa que afeta milhões de brasileiros todos os dias.
Mais da metade da população afirma ter sido vítima de algum tipo de fraude no último ano. E os prejuízos são altos: 54% dos que sofreram golpes relataram perdas financeiras. A nova realidade exige atenção redobrada, principalmente porque os métodos utilizados pelos criminosos estão cada vez mais sofisticados.
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O que explica o crescimento dos golpes no Brasil?
A explosão das fraudes digitais
A digitalização acelerada, impulsionada pela pandemia e pelo aumento da conectividade, criou um ambiente fértil para o avanço das fraudes digitais. Com mais brasileiros utilizando smartphones e realizando transações online, os criminosos passaram a investir em engenharia social e outras táticas para enganar usuários desatentos.
Segundo a pesquisa da Serasa Experian, 51% dos entrevistados disseram já ter caído em algum tipo de golpe. O dado mais preocupante, no entanto, é a tendência crescente de fraudes envolvendo tecnologias como deepfake e dados sintéticos, que dificultam ainda mais a identificação de tentativas de fraude.
Populações mais vulneráveis
Entre os grupos mais afetados estão os brasileiros com mais de 50 anos: 58% relataram já ter sido vítima de algum golpe, um crescimento expressivo frente aos 48,4% do ano anterior. Entre os jovens de 18 a 29 anos, 40,8% também relataram prejuízos, revelando que o problema afeta todas as faixas etárias, embora com maior severidade entre os mais velhos.
Onde o problema é mais grave
A região Sudeste concentrou o maior número de vítimas e perdas financeiras, demonstrando que os estados economicamente mais ativos também são os mais visados pelos golpistas. A pesquisa entrevistou brasileiros das classes A, B e C, com idades entre 18 e 65 anos, e possui margem de erro de 3,5%.
Golpes mais comuns: saiba o que está por trás das fraudes
Cartão de crédito lidera o ranking
A fraude mais frequente em 2024 envolveu o uso indevido de cartões de crédito, afetando quase metade das vítimas (47,9%). Mesmo com a alta incidência, o cartão continua sendo visto como um meio seguro pela maioria da população.
Golpes com Pix e boletos falsos
Outra modalidade em ascensão é o golpe com boletos e Pix falsos, onde criminosos enviam cobranças adulteradas por e-mail ou aplicativos de mensagens. A confiança no Pix, inclusive, caiu de 32% para 22% entre os entrevistados.
Phishing e links maliciosos
O phishing — prática que envolve o envio de links fraudulentos — também continua sendo um dos principais meios de ataque. Os golpistas imitam páginas de bancos, lojas e instituições públicas para obter dados sensíveis dos usuários.
Causas principais das fraudes: da identidade digital à engenharia social
Documentos roubados e dados emprestados
A segurança documental ainda é um ponto crítico. Em 2024, 16,3% dos brasileiros relataram ter tido documentos roubados, e 19% disseram já ter emprestado seus dados pessoais a terceiros — prática que pode resultar em prejuízos irreparáveis.
Desconfiança nas empresas
Boa parte da população (43%) acredita que as empresas não protegem de forma adequada suas informações. Essa percepção tem levado muitos consumidores a exigir mais transparência e segurança digital, com 76% dispostos a pagar mais por marcas que invistam em proteção online.
Como se proteger: medidas práticas para evitar golpes
Segurança de dados no dia a dia
- Proteja seu celular com senhas fortes e autenticação por biometria.
- Guarde seus documentos em locais seguros.
- Não compartilhe senhas ou códigos de acesso fora dos canais oficiais.
Comportamento digital consciente
- Cuidado com links recebidos por e-mail ou aplicativos de mensagem.
- Verifique sempre a origem de cobranças e boletos.
- Nunca forneça seus dados sem confirmar a identidade da outra parte.
Monitoramento constante
- Acompanhe regularmente o status do seu CPF em plataformas como a Serasa.
- Ative alertas de movimentação bancária.
- Utilize serviços de proteção contra fraudes e vazamento de dados.
Fraudes em 2025: novas tecnologias, novos desafios
Deepfake e biometria enganada
O uso de deepfakes em fraudes é uma das maiores preocupações para este ano. Vídeos e áudios falsificados estão sendo usados para enganar sistemas de reconhecimento facial e até familiares das vítimas.
Fraude como serviço
Uma tendência preocupante é o chamado “fraude como serviço”, onde golpistas comercializam pacotes completos com dados e ferramentas para executar crimes digitais. Essa prática tem alimentado um mercado clandestino altamente lucrativo.
Dados sintéticos e perfis falsos
A criação de dados sintéticos, ou seja, perfis digitais criados artificialmente para burlar sistemas de verificação, também tem crescido. Esses dados são utilizados para abrir contas bancárias, contratar empréstimos e realizar fraudes com aparência legítima.
Impacto das fraudes no mercado financeiro e no bolso do consumidor
Mais custos para bancos e seguradoras
O aumento da fraude forçou instituições financeiras a investirem em sistemas de segurança mais robustos, incluindo inteligência artificial, reconhecimento facial e verificação em duas etapas. Esse investimento, porém, tem elevado os custos operacionais.
Tarifas e prêmios de seguro mais altos
Esses custos acabam sendo repassados aos consumidores. Bancos têm reajustado tarifas, e seguradoras estão elevando os prêmios de produtos que envolvem proteção financeira, refletindo o aumento dos riscos.
Aumento na busca por serviços de monitoramento
Por outro lado, a demanda por serviços como monitoramento de crédito, proteção de CPF e consultoria em segurança digital aumentou substancialmente, mostrando que consumidores também estão mais conscientes e dispostos a investir em prevenção.

O cenário de fraudes no Brasil em 2025 é desafiador, mas não irreversível. A tecnologia, que tem sido usada por golpistas, também pode — e deve — ser usada para proteger consumidores e empresas. A conscientização, o investimento em segurança e a cautela nas interações digitais são hoje indispensáveis.
A luta contra as fraudes exige um esforço conjunto entre sociedade, empresas e poder público. Mas, acima de tudo, exige informação. Saber identificar os sinais, agir rapidamente e manter a vigilância constante são atitudes que podem fazer toda a diferença.




