O Banco Central anunciou, na quarta-feira (26), durante um evento da Clearsale, que o projeto Drex passará por uma reavaliação e uma pausa estratégica no primeiro semestre de 2025. A decisão foi tomada para ajustar questões técnicas e garantir a estabilidade da plataforma antes de sua implementação definitiva.
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Fase de testes segue sem novas adesões
A fase 2 do piloto do Drex, que teve início em outubro de 2024, continuará apenas com os participantes da primeira fase. O Banco Central optou por não incluir novas empresas devido à sobrecarga técnica de outros projetos em andamento, como o Pix e o Open Finance.
Fabio Araújo, coordenador do Drex no Banco Central, afirmou que a decisão foi necessária para focar nos testes já em andamento, evitando esforços adicionais que comprometeriam a qualidade do desenvolvimento.
Novas parcerias e inovações no desenvolvimento do Drex

Os participantes do programa piloto têm até junho para propor soluções inovadoras. Um grupo de cooperativas, incluindo Sicredi e Sicoob, está desenvolvendo alternativas para otimizar a estrutura do projeto.
Além disso, estudos realizados em parceria com universidades e pesquisas envolvendo blockchain em redes como XRP e Polkadot ajudam a impulsionar o avanço tecnológico da moeda digital brasileira.
O Banco Central tem buscado novos parceiros para acelerar a implementação do Drex e ampliar seu alcance no setor financeiro. Com o envolvimento de instituições acadêmicas e empresas do mercado, a expectativa é que o projeto ganhe mais robustez e possa ser testado em maior escala nos próximos meses.
Stablecoins versus moedas digitais de bancos centrais
A política de regulação de moedas digitais foi outro tema debatido. Fabio Araújo criticou a ideia de que stablecoins lastreadas em dólar poderiam substituir moedas digitais emitidas por bancos centrais (CBDCs) em economias emergentes.
De acordo com ele, sem um controle adequado das autoridades monetárias, o uso dessas moedas pode representar riscos para a estabilidade financeira.
Os desafios impostos pelas stablecoins no mercado global têm levado reguladores a debater a necessidade de políticas mais rígidas para sua adoção. Para o Banco Central, a prioridade é garantir que a moeda digital brasileira tenha um papel relevante no cenário econômico sem comprometer a segurança dos usuários.
Consulta pública sobre stablecoins gera preocupações
O Banco Central encerrou recentemente uma consulta pública sobre stablecoins, mas o debate deixou dúvidas no mercado. Empresas do setor temem que regulamentações muito rígidas possam prejudicar o desenvolvimento da inovação financeira no país.
Por outro lado, o Banco Central defende regras mais rígidas para evitar riscos sistêmicos e proteger os investidores. A preocupação com fraudes e volatilidade extrema nas stablecoins tem sido um dos pontos principais das discussões entre reguladores e especialistas.
Incógnitas sobre a implementação do Drex
A definição dos casos de uso do Drex tem sido um desafio, e a transição de modelos de negócios tradicionais para soluções descentralizadas ainda enfrenta dificuldades.
Araújo apontou que muitos projetos apresentados replicavam estruturas convencionais, sem explorar totalmente as vantagens da descentralização, o que levou à necessidade de revisões antes da implementação.
A adaptação do mercado financeiro às novas tecnologias exige uma mudança de mentalidade por parte das instituições. O Drex representa um avanço importante, mas sua adoção em larga escala ainda depende de testes mais aprofundados e de ajustes regulatórios que possam garantir seu funcionamento eficiente.
Futuro do Drex e previsões para o mercado

O Banco Central estabeleceu um ponto de controle para junho de 2025, quando os avanços do Drex serão reavaliados e um novo cronograma poderá ser divulgado.
Apesar dos avanços, não há garantia de que a moeda digital estará disponível para testes com a população ainda este ano. Segundo Araújo, a prioridade é garantir a segurança e a eficácia do sistema, mesmo que isso signifique atrasos no cronograma.
Especialistas apontam que o sucesso do Drex dependerá de uma estratégia bem definida para sua implementação. A busca por parcerias estratégicas e a realização de testes em larga escala serão fundamentais para consolidar a moeda digital brasileira no mercado financeiro e garantir sua adoção de forma segura e eficiente.




