O golpe do boleto para MEI tem se espalhado pelo país e já preocupa microempreendedores que relatam cobranças desconhecidas surgindo direto no aplicativo do banco. Em muitos casos, o valor gira em torno de R$ 495 e aparece sem qualquer contratação prévia.
O problema é que esses boletos chegam com aparência legítima, o que aumenta o risco de pagamento por engano. Como aparecem junto de contas reais, muitos empresários acabam acreditando que se trata de uma obrigação ligada ao CNPJ.
Abaixo você pode continuar a
leitura do artigo
Leia mais:
Exclusão do MEI muda tributação e aumenta custos
Como o boleto aparece mesmo sem contratação
A origem do problema está no uso do sistema bancário chamado DDA (Débito Direto Autorizado).
Esse sistema permite que boletos registrados no CPF ou CNPJ apareçam automaticamente no aplicativo bancário. Na prática:
- Uma empresa registra o boleto no CNPJ do MEI
- O documento surge no banco sem aviso
- O empreendedor vê como se fosse uma cobrança oficial
Isso não significa que a cobrança é obrigatória.
Por que tanta gente acaba pagando
O formato do boleto é o principal fator de confusão.
Mesmo sendo, muitas vezes, apenas uma “oferta de serviço”, ele apresenta características típicas de cobrança real:
- Valor definido
- Data de vencimento
- Código de barras válido
- Layout semelhante a contas oficiais
Além disso, muitas vezes não há aviso claro de que se trata de uma proposta opcional.
Casos se repetem e seguem um padrão
Os relatos mostram que não se trata de um caso isolado.
Empreendedores relatam:
- Recebimento recorrente de boletos
- Cobranças mensais sem autorização
- Pagamentos feitos por engano
Em alguns casos, o empresário só percebe o erro depois de pagar, ao notar que nunca contratou o serviço.
Reclamações cresceram e acendem alerta
O volume de queixas aumentou significativamente. Só em 2025, foram mais de 19 mil registros relacionados a esse tipo de prática.
Os principais problemas relatados são:
- Falta de clareza sobre a cobrança
- Indução ao erro
- Dúvida sobre obrigatoriedade
Isso tem levado a discussões sobre possíveis abusos no envio desses boletos.
É golpe ou cobrança legal?
Nem sempre é golpe — e é aí que mora o perigo.
O envio de boletos como proposta comercial não é proibido. Porém, quando o documento induz o pagamento como se fosse obrigatório, pode ser considerado prática abusiva.
Em casos mais graves, pode sim configurar fraude.
O que fazer ao receber um boleto suspeito
A principal orientação é simples: não pagar sem verificar.
Antes de qualquer pagamento:
- Confirme se você contratou o serviço
- Pesquise o nome da empresa emissora
- Verifique se há relação com sua atividade
- Ignore cobranças desconhecidas
Se ainda houver dúvida, o ideal é buscar orientação.
Onde denunciar ou pedir ajuda
Caso você identifique irregularidade, é possível registrar reclamação em órgãos oficiais, como:
- Procon
- Banco Central do Brasil
Esses canais ajudam a investigar práticas abusivas e proteger outros consumidores.
Já pagou? Ainda dá para tentar recuperar
Se o pagamento já foi feito, nem tudo está perdido.
Você pode:
- Entrar em contato com a empresa emissora
- Solicitar reembolso
- Registrar reclamação formal
- Guardar comprovantes
Quanto mais rápido agir, maiores as chances de recuperar o valor.
Projeto de lei quer proibir prática
O tema já chegou ao Congresso Nacional.
Um projeto de lei propõe:
- Proibir envio de boletos sem solicitação
- Exigir aviso claro de proposta comercial
- Reduzir risco de indução ao erro
Além disso, alguns estados já começaram a criar regras próprias para conter esse tipo de prática.
Como se proteger no dia a dia como MEI
Para evitar cair nesse tipo de situação:
- Revise boletos antes de pagar
- Desconfie de cobranças inesperadas
- Organize suas despesas fixas
- Evite pagamentos automáticos sem conferência
Esse cuidado simples pode evitar prejuízos frequentes.




