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“Super MEI”: Senado aprova aumento do teto para R$ 140 mil; o que muda?

23 de outubro de 2025 às 18:00Angela Schmidt9 tags

O Senado Federal deu mais um passo importante para o futuro dos microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil. A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta quarta-feira (22), o projeto de lei que amplia o limite de faturamento anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil. A proposta, que ficou conhecida popularmente como “Super MEI”, busca modernizar a legislação e adaptar o regime simplificado de tributação às necessidades atuais dos pequenos empresários.

Essa mudança promete beneficiar milhares de trabalhadores que atuam de forma autônoma e têm seu próprio negócio, permitindo formalização sem sobrecarga tributária. Além do aumento do teto de receita, o projeto cria uma faixa intermediária de contribuição, garantindo que os microempreendedores que faturam entre R$ 81 mil e R$ 140 mil possam continuar pagando valores acessíveis e mantendo benefícios previdenciários como aposentadoria e auxílio-doença.

Abaixo você pode continuar a
leitura do artigo

O que muda com o “Super MEI”

MEI
Imagem: Freepik/Canva

Novo limite de faturamento

O principal ponto do projeto é o aumento do limite de receita bruta anual. Atualmente, o MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano. Com a aprovação do PLP 60/2025, de autoria da senadora Ivete da Silveira (MDB-SC), esse teto sobe para R$ 140 mil. A mudança visa corrigir uma defasagem acumulada nos últimos dez anos, já que o limite vigente não acompanhou a inflação e o crescimento econômico do país.

O aumento do limite permite que pequenos empreendedores que já possuem um faturamento maior possam se manter na formalidade sem precisar migrar para regimes tributários mais complexos, que exigem mais obrigações contábeis e custos mais elevados.

Leia mais:

Reforma tributária em MEI: o que muda para microempreendedores

Faixa intermediária de contribuição

Outra novidade importante é a criação de uma alíquota intermediária para quem fatura entre R$ 81 mil e R$ 140 mil. Esses microempreendedores passarão a pagar 8% do salário mínimo mensal, enquanto os que faturam até R$ 81 mil continuam contribuindo com 5% do salário mínimo. O recolhimento é feito por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que reúne tributos municipais, estaduais e federais em uma única guia, simplificando o processo e garantindo cobertura previdenciária.

Benefícios para os microempreendedores

Além de reduzir a carga tributária e simplificar a burocracia, o MEI oferece diversos benefícios para quem formaliza seu negócio. Entre eles, destacam-se:

  • Possibilidade de emitir notas fiscais para clientes, aumentando a credibilidade da empresa;
  • Acesso a benefícios previdenciários, como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade;
  • Facilidade para abrir contas bancárias empresariais e obter crédito com taxas diferenciadas.

Com a aprovação do “Super MEI”, esses benefícios poderão ser usufruídos por uma quantidade maior de empreendedores, fortalecendo a economia informal que decide se formalizar.

O impacto econômico da medida

Para especialistas, a elevação do limite do MEI é um incentivo direto à formalização de pequenos negócios. Muitos empreendedores que faturam acima de R$ 81 mil ainda se mantêm na informalidade por receio de aumento de tributos ou exigências burocráticas. Com o teto maior, esses profissionais terão mais segurança para se legalizar e aproveitar os direitos e benefícios que a formalização oferece.

Estímulo à economia local

O aumento do limite também deve gerar impactos positivos na economia local. Microempreendedores representam uma parcela significativa do comércio, serviços e pequenas indústrias em todo o país. Ao facilitar a formalização, o “Super MEI” contribui para maior arrecadação tributária a médio prazo e movimenta o mercado com mais investimentos e consumo.

Ajuste à inflação

O projeto original previa atualização anual do limite de faturamento pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial da inflação no Brasil. Essa medida permitiria que o teto acompanhasse a evolução econômica sem perder poder de compra ao longo dos anos. No entanto, a emenda do relator Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) removeu essa atualização automática, mantendo apenas a mudança no limite de faturamento para R$ 140 mil.

Limitações e ajustes do projeto

Outro ponto que chegou a ser discutido no projeto original era a possibilidade de o MEI contratar até dois empregados, em vez de apenas um, como ocorre atualmente. A proposta visava dar mais flexibilidade para pequenos negócios que já têm uma operação um pouco maior. Entretanto, o relator do projeto optou por suprimir essa alteração devido aos impactos previdenciários e à complexidade administrativa que poderia gerar.

Próximas etapas legislativas

Após a aprovação na CAS, o PLP 60/2025 segue para a análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Se aprovado na CAE, o projeto será encaminhado para votação no plenário do Senado. Existe ainda uma proposta semelhante tramitando na Câmara dos Deputados, que prevê elevar o teto do MEI para R$ 150 mil, o que indica um movimento mais amplo de modernização do regime simplificado.

Por que o “Super MEI” é importante para o Brasil

O limite atual de R$ 81 mil foi estabelecido pela Lei Complementar 155/2016, há quase uma década. Desde então, a inflação acumulada e o aumento do custo de vida reduziram o poder real desse teto, tornando a formalização menos atrativa para empreendedores com faturamento um pouco acima desse valor. Com o aumento para R$ 140 mil, o Brasil corrige uma defasagem histórica e dá sinais de valorização aos pequenos negócios.

Fortalecimento do empreendedorismo

Microempreendedores são parte essencial do tecido econômico nacional. Eles geram empregos, movimentam o comércio e contribuem para a inovação em diversos setores. Ao facilitar a permanência de pequenos negócios na formalidade, o “Super MEI” fortalece o empreendedorismo, estimula a competitividade e promove a inclusão econômica.

Impacto positivo na arrecadação

Embora o MEI seja um regime simplificado, o aumento do limite de faturamento não compromete significativamente as receitas da União. Pelo contrário, a formalização de mais microempreendedores tende a aumentar a arrecadação tributária a médio prazo, já que mais negócios vão contribuir regularmente com impostos, mesmo que em valores reduzidos.

Como se preparar para o “Super MEI”

MEI
Imagem: Freepik e Canva

Planejamento financeiro

Empreendedores que estão próximos do limite atual devem começar a planejar suas finanças considerando o novo teto de R$ 140 mil. É importante organizar fluxo de caixa, separar tributos e analisar possibilidades de expansão do negócio sem comprometer a saúde financeira.

Regularização da empresa

Para aqueles que ainda não são formalizados, o momento é ideal para abrir o MEI. A formalização garante acesso a crédito, benefícios previdenciários e permite que o empreendedor participe de licitações e contratos formais, aumentando as oportunidades de crescimento.

Consultoria e apoio técnico

O “Super MEI” também traz desafios, especialmente para quem precisa se adequar a novas alíquotas e regras de contribuição. Buscar apoio de contadores, consultorias e órgãos de apoio ao empreendedorismo é fundamental para garantir que todas as obrigações legais sejam cumpridas corretamente.

Considerações finais

O “Super MEI” representa uma mudança significativa no cenário dos microempreendedores individuais no Brasil. Com o aumento do limite de faturamento, criação de faixas intermediárias de contribuição e foco na formalização, o projeto tem potencial de impulsionar a economia, estimular o empreendedorismo e corrigir defasagens históricas na legislação.

Embora algumas propostas, como a contratação de até dois empregados e a atualização anual pelo IPCA, tenham sido retiradas, a medida já demonstra avanços importantes. A expectativa é que, com a aprovação final, milhares de pequenos negócios possam se formalizar, fortalecer suas operações e contribuir ainda mais para a economia do país.

Imagem: Freepik e Canva

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