O início do ano fiscal no Brasil marca o período de declaração do Imposto de Renda e, com ele, a expectativa pela restituição. Em 2025, a Receita Federal anunciou a liberação de um novo lote de restituições, desta vez direcionado a contribuintes que caíram na malha fina, mas regularizaram suas pendências. A medida deve beneficiar cerca de 280 mil pessoas em todo o país.
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O que é a malha fina e por que ela impacta a restituição

A malha fina é o processo pelo qual a Receita Federal retém declarações do Imposto de Renda para análise mais detalhada. Isso acontece quando são identificadas inconsistências nos dados fornecidos pelo contribuinte, como erros de preenchimento, omissão de rendimentos ou deduções indevidas.
Quando essas pendências são resolvidas, o contribuinte volta a ter direito à restituição, que é paga em lotes residuais. É o que acontece neste momento: a Receita está devolvendo valores de declarações corrigidas, totalizando R$ 339,63 milhões.
Como consultar a restituição da malha fina
A consulta é simples e pode ser feita diretamente no site da Receita Federal. Para verificar se está no lote de restituição, o contribuinte deve:
- Acessar o site www.gov.br/receitafederal
- Informar o CPF, a data de nascimento e o ano da declaração
- Verificar se há valores disponíveis para recebimento
Não há necessidade de recorrer a contadores ou intermediários para realizar a consulta, que é gratuita e pode ser feita quantas vezes for necessário.
Quando o pagamento será feito
A Receita Federal realiza os pagamentos da restituição em lotes mensais. Para os contribuintes que estavam na malha fina, o primeiro pagamento será feito no fim de maio. Os próximos ocorrerão entre junho e setembro, de acordo com a data de regularização da declaração e a ordem de entrega.
Quem retificou mais cedo tem prioridade no pagamento. Portanto, é importante corrigir eventuais pendências o quanto antes, para aumentar as chances de receber logo nos primeiros lotes.
Grupos com prioridade na restituição
Mesmo com a liberação do lote, a Receita Federal segue critérios de prioridade para o pagamento. Os grupos prioritários incluem:
- Idosos acima de 60 anos
- Pessoas com deficiência física, mental ou moléstia grave
- Professores cuja principal fonte de renda seja o magistério
Esses grupos têm seus pagamentos antecipados por lei. Além disso, neste ano, contribuintes que optaram pela declaração pré-preenchida e informaram o PIX como forma de recebimento também estão recebendo com maior agilidade.
Pagamento via PIX agiliza o processo

Uma das novidades que vem ganhando destaque é o pagamento da restituição via PIX. Ao informar a chave PIX na declaração — preferencialmente o CPF —, o contribuinte elimina a necessidade de aguardar a compensação bancária tradicional.
Isso reduz o tempo de espera e evita problemas com contas bancárias inativas ou dados incorretos. A Receita recomenda fortemente o uso do PIX para quem busca mais praticidade.
Taxa Selic impacta o valor da restituição
Outro fator relevante é a taxa Selic, que atualmente está em 14,25% ao ano. Esse percentual é usado para corrigir os valores da restituição desde a data de entrega da declaração até o momento do pagamento. Ou seja, quanto mais tempo o contribuinte esperar, maior tende a ser o valor a receber — especialmente para quem caiu na malha fina e demorou a resolver a pendência.
Como aumentar o valor da restituição do IR
Uma das principais dúvidas dos contribuintes é como maximizar o valor da restituição. A resposta está nas deduções legais autorizadas pela Receita. Entre as principais, destacam-se:
Gastos com educação
Despesas com mensalidades de escolas, faculdades e cursos técnicos podem ser deduzidas. É importante guardar todos os comprovantes para evitar cair novamente na malha fina.
Despesas médicas
Consultas, exames, internações, tratamentos psicológicos e até gastos com planos de saúde são dedutíveis. Não há limite máximo para dedução dessas despesas, mas é essencial que elas estejam bem documentadas.
Dependentes
Declarar dependentes corretamente pode aumentar consideravelmente a restituição. Cada dependente gera uma dedução fixa no valor de R$ 2.275,08 por ano, além de permitir outras deduções relacionadas, como educação e saúde.
Previdência privada (PGBL)
Contribuições feitas para planos de previdência do tipo PGBL também podem ser abatidas, até o limite de 12% da renda tributável anual do contribuinte.
Cuidados para não cair novamente na malha fina

Para garantir a restituição e evitar novos problemas, é essencial prestar atenção aos seguintes pontos:
- Evitar erros de digitação e omissão de rendimentos
- Declarar todas as fontes de renda, inclusive de dependentes
- Verificar a consistência dos dados com os informes de rendimentos recebidos
A Receita cruza informações com bancos, empresas, planos de saúde e instituições de ensino. Qualquer divergência pode levar o contribuinte de volta à malha fina.




