O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou em Belo Horizonte o Gás do Povo, iniciativa que pretende ampliar o acesso ao gás de cozinha para famílias de baixa renda em todo o país. A proposta é substituir o antigo Auxílio Gás, mas com mudanças importantes na forma de entrega do benefício. A estimativa do governo é atender mais de 15 milhões de famílias e distribuir cerca de 65 milhões de botijões por ano.
O que é o Gás do Povo e por que foi criado?
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O programa nasce como uma resposta direta à disparidade entre o preço de venda da Petrobras e o valor pago pelos consumidores. Embora a estatal repasse o botijão de 13 quilos por pouco mais de R$ 37, em muitas cidades brasileiras o mesmo produto chega a custar entre R$ 130 e R$ 150. Essa diferença, considerada injusta pelo governo, afeta principalmente os mais pobres.
Ao invés de um repasse em dinheiro, como ocorria no Auxílio Gás, o novo modelo garante que as famílias recebam o botijão diretamente nas revendas cadastradas. A intenção é assegurar transparência, evitar desvios e garantir que o auxílio cumpra sua função social.
Quem poderá participar do programa
O público-alvo é formado por famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Para ser contemplado, é necessário que a renda mensal por pessoa não ultrapasse meio salário mínimo, atualmente equivalente a R$ 759.
O governo informou que haverá prioridade para aqueles que já fazem parte do Bolsa Família, de forma a integrar diferentes políticas sociais em um único eixo de atendimento.
Quantidade de botijões a que cada família terá direito
O número de botijões fornecidos anualmente dependerá do tamanho da família. A regra definida é a seguinte:
Famílias com dois integrantes poderão retirar até três botijões por ano
Famílias com três pessoas terão direito a até quatro unidades
Famílias compostas por quatro ou mais pessoas poderão receber até seis botijões anuais
Esse modelo considera o consumo médio por grupo familiar, garantindo uma distribuição proporcional às necessidades de cada domicílio.
Como será feita a entrega do benefício?
Para que o acesso seja simples, o governo desenhou diferentes formas de retirada do botijão. O beneficiário poderá escolher entre utilizar um aplicativo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), que mostrará os pontos de revenda credenciados, ou recorrer a outros meios de comprovação.
Também serão aceitos um cartão próprio do programa, vales impressos disponibilizados em agências da Caixa Econômica Federal e lotéricas, além do cartão do Bolsa Família, que poderá ser usado diretamente.
A previsão oficial é que a distribuição comece em 30 de outubro de 2025, com alcance em todas as regiões do país.
Regiões mais beneficiadas
Segundo estimativas divulgadas, a região Nordeste será a que mais receberá unidades do programa, alcançando mais de 7 milhões de famílias. Em seguida aparecem o Sudeste, com 4,4 milhões, o Norte com 2,1 milhões, o Sul com aproximadamente 1,1 milhão e o Centro-Oeste, com 889 mil famílias atendidas.
Esses números refletem a concentração da população em situação de vulnerabilidade e a necessidade maior de apoio em determinadas áreas do país.
Definição de preços e funcionamento das revendas
O preço de referência do botijão será calculado pelo Ministério de Minas e Energia em conjunto com o Ministério da Fazenda, utilizando dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A metodologia prevê valores diferentes para cada estado, de acordo com a realidade logística e tributária local.
As revendas que aderirem ao programa deverão seguir um padrão visual definido pelo governo federal, permitindo que o consumidor identifique facilmente os estabelecimentos credenciados. Vale destacar que o frete da entrega domiciliar não está incluído no benefício, ficando por conta do consumidor que optar por esse serviço.
Impacto social esperado
O Gás do Povo tem potencial para reduzir significativamente a insegurança alimentar no Brasil. Muitas famílias, diante do alto custo do gás, recorrem a alternativas como lenha ou carvão, o que compromete tanto a saúde quanto a segurança doméstica.
Com a chegada do programa, o governo espera garantir não apenas acesso a um item essencial, mas também melhorar a qualidade de vida, aliviar o orçamento familiar e fortalecer a rede de proteção social.
Além dos benefícios diretos, a política deve estimular a formalização das revendas e dar mais transparência à cadeia de distribuição.
Próximos passos e análise política
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O programa foi instituído por meio de medida provisória assinada pelo presidente Lula. Como toda MP, ela passa a valer imediatamente, mas depende de aprovação do Congresso Nacional em até 120 dias. A expectativa é de que o tema seja amplamente debatido, já que envolve tanto questões sociais quanto econômicas.
Para o governo, trata-se de uma aposta estratégica: ao mesmo tempo em que reforça o compromisso com a população de baixa renda, o programa também busca enfrentar as distorções no mercado de combustíveis.
O Gás do Povo surge como uma política pública voltada para enfrentar uma das maiores dificuldades da população vulnerável: o alto custo do gás de cozinha. Com um modelo de distribuição direta e múltiplas formas de acesso, o programa pretende ampliar a transparência, garantir eficiência e beneficiar milhões de famílias em todas as regiões do Brasil.
Se bem implementado, poderá se consolidar como uma das principais marcas sociais do governo atual, ao lado de programas históricos como o Bolsa Família.