O preço dos ovos disparou tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, gerando preocupação entre consumidores e especialistas do setor. O aumento chega a quase 50% em algumas regiões, impactando diretamente o orçamento das famílias.
Nesta quinta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou os valores da cartela de ovos como absurdos, mas destacou que não é possível controlar os preços do dia para a noite. O cenário reflete uma combinação de fatores, como aumento da demanda, custos de produção elevados e, no caso dos Estados Unidos, uma crise de abastecimento causada pela gripe aviária.
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O que está causando a alta do preço dos ovos?
Efeito da gripe aviária nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a principal razão para o aumento do preço dos ovos é a gripe aviária, que tem dizimado plantéis de aves poedeiras. Só em janeiro de 2025, o país perdeu 18,8 milhões de galinhas devido à doença. Como resultado, a oferta de ovos caiu drasticamente, impulsionando os preços.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que, no fim de janeiro, o preço médio da dúzia de ovos no país chegou a US$ 5,80 (aproximadamente R$ 33). Em Nova York, o valor chegou a US$ 7,24, enquanto na Califórnia ultrapassou os US$ 8.
A expectativa é que a crise continue nos próximos meses, uma vez que a reposição dos plantéis leva tempo. O próprio USDA já revisou suas projeções e estima que o preço dos ovos nos Estados Unidos suba cerca de 20% ao longo de 2025.
Produção controlada e aumento da demanda no Brasil
No Brasil, o cenário é diferente, já que a gripe aviária ainda não afetou as granjas comerciais. No entanto, o preço dos ovos também subiu significativamente.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a caixa com 30 dúzias de ovos brancos em Bastos (SP), maior polo produtor do país, subiu de R$ 149,99 em 2 de janeiro para R$ 208,99 em 19 de fevereiro, um aumento de 45,14%. Já os ovos vermelhos saltaram de R$ 167,12 para R$ 240,94 no mesmo período.
Segundo especialistas, a alta nos preços é resultado de uma combinação de fatores, como o controle da oferta pelos produtores e o aumento da demanda. No início do ano, a produção foi reduzida porque, tradicionalmente, a procura é menor. No entanto, com a volta das aulas e a proximidade da Quaresma, a demanda subiu rapidamente, pressionando os preços.
Expectativa para os próximos meses
Tendência de queda após a Quaresma
Especialistas do setor acreditam que os preços dos ovos devem permanecer altos até a Quaresma, período em que o consumo da proteína costuma aumentar devido à redução no consumo de carne vermelha. Após esse período, espera-se uma estabilização no mercado.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforça que a alta nos preços tem caráter sazonal e que a tendência é de recuo nos valores à medida que a produção se ajusta à demanda.
Custos de produção também pesam no preço final
Outro fator que influencia o preço dos ovos no Brasil é o custo de produção. O milho, principal insumo da alimentação das aves, subiu cerca de 30% nos últimos meses. Além disso, o custo com embalagens mais que dobrou, e as temperaturas elevadas reduziram a produtividade das poedeiras.
Mesmo com esses desafios, a ABPA destaca que a oferta interna de ovos não está comprometida, já que menos de 1% da produção brasileira é exportada. O consumo per capita no país é estimado em 272 unidades por ano, número superior à média global.
Brasil pode se beneficiar da crise nos Estados Unidos
Com a escassez de ovos nos Estados Unidos, o Brasil pode ganhar espaço no mercado internacional. O país tem capacidade de aumentar a produção sem comprometer o abastecimento interno, o que pode abrir novas oportunidades para os exportadores brasileiros.
No entanto, ainda não há um protocolo sanitário que permita a exportação de ovos para os Estados Unidos. Caso essa barreira seja superada, produtores brasileiros podem se beneficiar da alta nos preços do mercado americano.

A disparada no preço dos ovos tem impacto direto no bolso do consumidor e reflete diferentes fatores em cada país. Nos Estados Unidos, a gripe aviária reduziu drasticamente a oferta, enquanto no Brasil, a alta está relacionada à demanda sazonal e aos custos de produção.
Especialistas acreditam que os preços devem se manter elevados até a Quaresma, mas podem cair nos meses seguintes. No cenário global, o Brasil tem a chance de expandir sua participação no mercado internacional, desde que consiga viabilizar a exportação para países afetados pela crise de abastecimento.




