A onda de calor no Rio de Janeiro já é uma preocupação crescente para os serviços de saúde locais, com mais de 5 mil pessoas buscando atendimento médico nos primeiros meses de 2025. As altas temperaturas, que atingiram recordes no mês de janeiro e nos primeiros dias de fevereiro, têm causado uma sobrecarga nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente nas unidades de emergência, como as UPAs, os hospitais e as Coordenações de Emergência Regional (CER).
As condições climáticas extremas afetam a saúde da população, com destaque para a incidência de desidratação e a descompensação de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e insuficiência renal. A situação se agrava com a fragilidade de idosos e crianças, que são mais suscetíveis ao calor intenso. O Governo do Rio de Janeiro já se prepara para os dias mais quentes, com ações de prevenção e reforço nos serviços de saúde.
Abaixo você pode continuar a
leitura do artigo

Leia mais:
- Quando o calor vai embora? Veja a previsão atualizada
- Calor intenso: São Paulo registra a maior temperatura de 2025; confira
- Calor extremo em SP: Defesa Civil orienta população
A gravidade da onda de calor no Rio de Janeiro
O mês de janeiro de 2025 foi marcado por um calor intenso, levando cerca de 3 mil pessoas a buscar atendimento em unidades de emergência. Já em fevereiro, com a continuidade da onda de calor, mais 2,4 mil pessoas procuraram as unidades de saúde da cidade. Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS-RJ) indicam que a situação pode piorar, com o aumento dos casos de complicações respiratórias e problemas cardiovasculares.
A principal preocupação das autoridades de saúde é o aumento da mortalidade por doenças crônicas, com destaque para os casos de hipertensão, diabetes, insuficiência renal e insuficiência cardíaca, que são mais frequentes em dias de calor intenso. Estudos recentes realizados pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo Centro de Inteligência Epidemiológica (CIE) comprovam que a mortalidade aumenta consideravelmente quando as temperaturas atingem os níveis mais elevados, especialmente no caso dos idosos.
Impactos do calor na saúde humana
De acordo com o secretário municipal de saúde, Daniel Soranz, o calor extremo não só agrava problemas já existentes, como também causa novos diagnósticos e sintomas, como desidratação severa, queimaduras na pele e dificuldades respiratórias. As ondas de calor, que atingem temperaturas acima de 40°C, são classificadas de acordo com a intensidade do calor: do Calor 1 (temperaturas mais amenas) ao Calor 5 (dias de calor extremo, acima de 44°C).
Os médicos afirmam que a hidratação adequada e o refresco do corpo são essenciais para evitar que os problemas de saúde se agravem durante os períodos de calor intenso. As autoridades têm alertado a população sobre a importância de se manter hidratado, evitar a exposição direta ao sol e limitar as atividades físicas em horários de pico da temperatura.
Medidas preventivas adotadas pelo município
A Prefeitura do Rio de Janeiro adotou uma série de medidas para mitigar os impactos da onda de calor, principalmente nas populações mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Foram abertos 58 pontos de resfriamento na cidade, nos quais a população pode se refugiar para evitar o calor excessivo. Além disso, foi estabelecida uma parada para hidratação dos trabalhadores que enfrentam a exposição direta ao sol por longas jornadas, como vendedores ambulantes e operários da construção civil.
Com a proximidade do Carnaval, que deve atrair milhões de foliões ao Rio, a cidade também se prepara para atender a demanda de saúde. Para garantir o atendimento aos 1 milhão de foliões, foram estabelecidos postos de saúde no Sambódromo e nos principais blocos de rua. Essa medida visa reduzir o risco de desidratação e outras complicações associadas ao calor, além de oferecer suporte para acidentes comuns durante as festividades.
Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo
Em 2024, a Prefeitura do Rio implementou o “Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo”, que descreve as ações a serem tomadas conforme os níveis de calor na cidade. O protocolo classifica a intensidade das ondas de calor em cinco categorias, sendo o Calor 4 (temperaturas de 40°C a 44°C) o mais severo. Esse protocolo visa melhorar a resposta do sistema de saúde e aumentar a conscientização da população sobre os riscos do calor.
O Centro de Operações Rio (COR-Rio) acompanha as condições climáticas em tempo real e emite alertas quando o nível de calor atinge níveis preocupantes. As orientações incluem a necessidade de evitar atividades físicas, o uso de roupas leves, o consumo constante de água e a proibição da exposição direta ao sol, especialmente nos horários mais quentes do dia.
Impacto do calor na saúde mental
O calor não afeta apenas o corpo físico, mas também pode ter um impacto negativo na saúde mental das pessoas. O aumento da irritabilidade, a sensação de cansaço extremo e a falta de concentração são alguns dos efeitos psicológicos associados à onda de calor. As altas temperaturas podem aumentar a ansiedade e o estresse, especialmente em pessoas com histórico de problemas psicológicos.
A Secretaria Municipal de Saúde também alertou sobre o agravamento de doenças mentais nos dias de calor extremo. Para minimizar esse impacto, as ações de saúde mental estão sendo reforçadas em toda a cidade, com psicólogos e assistentes sociais trabalhando em conjunto com os profissionais de saúde para oferecer apoio emocional às vítimas do calor.

A importância da conscientização e da preparação
A onda de calor no Rio de Janeiro é um exemplo claro dos impactos das mudanças climáticas sobre a saúde pública. O aumento da mortalidade, das hospitalizações e dos casos de desidratação é uma consequência direta do aumento das temperaturas na cidade. A implementação do Protocolo de Enfrentamento ao Calor Extremo, junto com as ações preventivas, como a hidratação constante, a distribuição de água e a criação de pontos de resfriamento, são medidas eficazes para proteger a população dos efeitos negativos do calor.
No entanto, a conscientização da população é fundamental para garantir que as medidas preventivas sejam eficazes. A colaboração da sociedade civil, dos governos locais e das instituições de saúde é essencial para enfrentar o desafio das altas temperaturas e minimizar os impactos na saúde pública. A Prefeitura do Rio de Janeiro continua a monitorar a situação e a desenvolver novas estratégias para proteger a saúde de todos, especialmente os grupos mais vulneráveis.




