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NotíciasSalário-Maternidade

Novas regras do salário-maternidade: mais acesso para autônomas e MEIs

20 de julho de 2025 às 14:00Angela Schmidt10 tags

A partir de 2025, o salário-maternidade passará por uma transformação significativa para as brasileiras que atuam por conta própria. Em resposta a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) adotou uma nova abordagem para garantir o direito ao benefício mesmo àquelas que não têm vínculo formal de trabalho.

A medida elimina exigências que, até então, restringiam o acesso ao benefício por parte de milhares de mulheres que contribuem de forma intermitente ou que regularizaram sua situação pouco antes do parto. Com essa mudança, o processo se torna mais acessível, menos burocrático e muito mais inclusivo.

Abaixo você pode continuar a
leitura do artigo

Mudança determinada pelo STF impulsiona alteração nas regras do salário-maternidade

Salário-Maternidade
Imagem: Ground Picture / Shutterstock.com

O estopim para essa reformulação veio após o STF julgar inconstitucional a exigência de um número mínimo de contribuições para que autônomas e contribuintes facultativas tivessem direito ao salário-maternidade. A corte concluiu que condicionar o acesso à proteção da maternidade a um histórico prolongado de pagamentos violava princípios fundamentais da Constituição Federal.

Esse entendimento levou o INSS a adaptar seus critérios e revisar a forma como o benefício é concedido para mulheres que atuam fora do mercado formal.

A partir de agora, bastará uma única contribuição realizada antes do parto, da adoção ou em caso de aborto espontâneo para que essas seguradas possam acessar o benefício.

Como era antes: barreiras para as mulheres autônomas

Durante anos, trabalhadoras sem vínculo formal enfrentaram obstáculos para conquistar o salário-maternidade. Isso porque o INSS exigia que a requerente tivesse ao menos 10 meses consecutivos de contribuição para que o benefício fosse liberado.

Essa regra acabava excluindo mulheres que:

  • Haviam começado a contribuir recentemente como MEI;
  • Atuavam informalmente e passaram a contribuir no meio da gestação;
  • Estavam com contribuições em atraso ou haviam interrompido os pagamentos temporariamente.

Consequentemente, muitas mães eram deixadas sem suporte financeiro justamente no momento mais sensível: a chegada de um filho.

O que passa a valer com a nova regra do salário-maternidade

Com a decisão do STF e a atualização do INSS, a exigência de carência mínima foi derrubada. Isso significa que, mesmo com apenas uma contribuição válida antes do evento que gera o direito, a segurada poderá requerer o salário-maternidade.

Essa mudança vale para:

  • Microempreendedoras individuais que se formalizaram recentemente;
  • Contribuintes facultativas que fazem pagamentos esporádicos;
  • Profissionais autônomas que atuam sem contrato fixo;
  • Mulheres que retornaram às contribuições pouco antes de dar à luz ou concluir um processo de adoção.

Exemplos de mulheres que agora serão incluídas

A nova regra representa um avanço para casos como:

  • Uma diarista que efetuou sua primeira contribuição há apenas dois meses;
  • Uma empreendedora informal que se registrou como MEI no segundo trimestre da gravidez;
  • Uma mãe que, após anos afastada do INSS, retomou as contribuições semanas antes do nascimento do bebê.

Esses perfis, que antes ficavam de fora, passam a ser atendidos pela nova política de concessão.

Etapas para solicitar o benefício pelo Meu INSS

A solicitação do salário-maternidade continua sendo feita por meio digital. Tanto o site quanto o aplicativo do Meu INSS estão habilitados para esse fim, e o procedimento ficou mais simples com as mudanças recentes.

O passo a passo envolve:

  1. Acessar o site oficial do Meu INSS ou o aplicativo no celular;
  2. Entrar com os dados da conta Gov.br;
  3. Buscar a opção “Pedir benefício” no menu principal;
  4. Escolher “Salário-maternidade (segurada contribuinte individual, facultativa e MEI)”;
  5. Anexar a certidão de nascimento ou outro documento oficial do evento;
  6. Enviar a solicitação e acompanhar o processo diretamente pelo sistema.

Durante a análise, o sistema do INSS verifica se existe ao menos um recolhimento válido anterior ao fato gerador. Em caso positivo, o benefício é liberado após conferência documental.

Como o valor é calculado para quem trabalha por conta própria

O salário-maternidade recebido por mulheres que não têm vínculo formal segue a média das contribuições realizadas. Em geral, o valor acompanha a quantia sobre a qual a segurada recolhe.

Abaixo, alguns exemplos práticos:

  • Para MEIs que contribuem com 5% do salário-mínimo, o valor do benefício em 2025 é de R$ 1.412 por mês;
  • Uma contribuinte individual que recolhe 20% sobre R$ 2.000 terá o benefício calculado com base nesse valor;
  • No caso de facultativas, a média dos últimos 12 recolhimentos será usada para determinar o valor final.

A duração do pagamento é de 120 dias corridos, podendo começar no oitavo mês de gestação, no dia do nascimento ou na data da formalização da guarda, conforme o caso.

Qual é o prazo para fazer a solicitação?

O prazo máximo para requerer o salário-maternidade é de cinco anos a partir do nascimento da criança, adoção ou guarda. Ainda assim, quanto mais cedo o pedido for registrado, mais rapidamente o pagamento será liberado.

A liberação do valor costuma ocorrer em até 30 dias após a aprovação e o depósito é feito na conta bancária cadastrada pelo segurado.

E quem teve o pedido negado pelas regras antigas?

Mulheres que tiveram o salário-maternidade recusado por não cumprirem a exigência anterior de 10 contribuições agora têm a oportunidade de pedir uma nova avaliação.

A reanálise pode ser feita acessando o sistema Meu INSS, selecionando a opção “Recurso” ou “Revisão de benefício” e apresentando uma justificativa com base nas normas atualizadas. Esse procedimento também se aplica a casos encerrados, desde que estejam dentro do prazo de cinco anos para revisão.

Reações de especialistas e da sociedade civil

A reformulação das regras foi celebrada por movimentos de defesa dos direitos das mulheres, juristas e economistas que acompanham de perto as políticas de seguridade social no país.

De acordo com a advogada Camila Barbosa, especializada em direito previdenciário, a alteração representa “um passo importante na equiparação de direitos entre trabalhadoras formais e informais.”

Já o economista Paulo Nogueira ressaltou que a medida tem potencial para “reduzir desigualdades, proteger a infância e garantir segurança financeira em um momento tão delicado quanto o pós-parto.”

Efeitos esperados a curto e médio prazo

Com a flexibilização da regra, espera-se que mais mulheres busquem regularizar sua situação previdenciária, ampliando o número de contribuintes no sistema.

Algas tendências que devem se intensificar:

  • Aumento na formalização de mulheres como MEIs;
  • Crescimento nas contribuições facultativas por parte de trabalhadoras informais;
  • Ampliação da proteção à maternidade em camadas da população antes excluídas;
  • Redução das disparidades entre seguradas com e sem carteira assinada.

Além disso, a medida fortalece a imagem do sistema previdenciário como um instrumento de inclusão social.

Dúvidas comuns entre contribuintes

salário-Maternidade
Imagem: Freepik

É necessário estar com todas as contribuições em dia?
Não. Basta haver ao menos uma contribuição anterior ao evento que dá origem ao benefício.

Posso pagar o INSS depois do parto e receber o benefício?
Não. O recolhimento precisa ter sido feito antes do nascimento ou da adoção.

Se já recebi salário-maternidade antes, posso pedir de novo?
Sim. O benefício pode ser solicitado a cada nova gestação ou processo de adoção, desde que as regras atuais sejam respeitadas.

Considerações finais

A atualização nas regras do salário-maternidade representa uma conquista significativa para a inclusão das mulheres autônomas e informais no sistema de proteção social brasileiro. Ao dispensar a carência prolongada de contribuições, o INSS atende a uma demanda antiga por mais justiça e igualdade no acesso a direitos essenciais.

A mudança corrige uma distorção histórica, amplia o alcance do benefício e incentiva a formalização das atividades profissionais. Dessa forma, mais mães poderão contar com o suporte financeiro necessário nos primeiros meses após o nascimento de seus filhos — um momento que exige cuidado, estabilidade e segurança.

Imagem: Canva

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