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O que está por trás do aumento nas exclusões
O avanço da tecnologia mudou o jogo da fiscalização.
Hoje, a Receita cruza informações de:
- Pix
- Cartões de crédito
- Plataformas digitais (marketplaces)
- Sistema financeiro (e-Financeira)
Com isso, ficou mais fácil identificar inconsistências entre o faturamento declarado e o real.
Esse “pente-fino” levou à exclusão de milhões de MEIs nos últimos anos — especialmente após 2024, quando o cruzamento de dados se tornou mais sistemático.
O erro mais comum: ultrapassar o limite e não avisar
O limite de faturamento do MEI continua sendo de R$ 81 mil por ano.
Quando o empreendedor ultrapassa esse valor e não comunica, surgem problemas:
- Até 20% acima do limite → desenquadramento com ajustes
- Mais de 20% → cobrança retroativa de impostos
- Excesso logo no início → risco maior de autuação
Muitos empreendedores acreditam que pequenos excessos passam despercebidos, mas isso não é mais realidade.
Quando a situação vira fraude (e não só erro)
Nem toda irregularidade é crime, mas existe uma linha clara quando há intenção.
A Receita tem identificado práticas como:
- Dividir faturamento entre vários CNPJs
- Abrir MEI em nome de terceiros
- Omitir receitas na declaração anual (DASN-SIMEI)
- Usar várias contas ou maquininhas para esconder valores
Essas estratégias são consideradas tentativa de enganar o Fisco.
Nesses casos, pode haver enquadramento na Lei nº 8.137 de 1990, que trata de crimes contra a ordem tributária.
Penalidades que vão além da exclusão
As consequências não se limitam à saída do MEI.
Dependendo da situação, o empreendedor pode enfrentar:
- Cobrança de impostos retroativos como microempresa
- Multas de até 75% do valor devido (ou mais em caso de fraude)
- Exclusão do Simples Nacional
- Dívida ativa e restrições no CPF/CNPJ
- Processo criminal, em casos mais graves
Ou seja, o custo pode ser muito maior do que o imposto economizado.
Atividades e regras que também causam desenquadramento
Além do faturamento, outros fatores também levam à exclusão:
- Exercer atividade não permitida no MEI
- Participar como sócio em outra empresa
- Contratar mais de um funcionário
- Manter CNPJ inativo por muito tempo
Esses pontos costumam passar despercebidos, mas são monitorados.
Como saber se você está em risco
Alguns sinais indicam que o MEI pode estar irregular:
- Movimentação financeira maior que o faturamento declarado
- Uso frequente de contas pessoais para receber valores do negócio
- Crescimento rápido sem atualização do enquadramento
Se você se identificou com algum desses pontos, é importante agir rapidamente.
O que fazer para evitar problemas com a Receita
A regularização começa com organização.
Veja um caminho prático:
- Conferir seu faturamento anual real
- Comparar com o valor declarado na DASN-SIMEI
- Ajustar dados, se necessário
- Avaliar se ainda se enquadra como MEI
- Migrar para microempresa (ME) se o negócio cresceu
Manter o controle financeiro atualizado é essencial para evitar autuações.
MEI ainda vale a pena em 2026?
Sim, mas apenas para quem realmente se encaixa nas regras.
O regime continua sendo vantajoso para pequenos negócios, com:
- Baixa carga tributária
- Menos burocracia
- Facilidade de formalização
Por outro lado, usar o MEI de forma indevida pode trazer prejuízos sérios.
O recado da Receita é claro
O cenário mudou: a fiscalização está mais eficiente e automatizada.
Hoje, tentar “passar despercebido” é cada vez mais difícil.
Para o empreendedor, a melhor estratégia não é pagar menos a qualquer custo, mas manter a regularidade e crescer de forma sustentável.