Em 2024, uma nova legislação entrou em vigor no Brasil, estabelecendo limites para os juros cobrados no rotativo do cartão de crédito. Essa medida trouxe mudanças significativas para o consumidor brasileiro, oferecendo mais controle sobre as dívidas acumuladas. Com isso, o crédito rotativo, antes marcado por juros elevados e progressões exponenciais, viu seus encargos serem limitados, trazendo um alívio para muitos.
No entanto, apesar dessa redução, a inadimplência voltou a crescer no final de 2024, o que levanta questões sobre a eficácia dessa medida. A falta de educação financeira e o uso indiscriminado do crédito continuam sendo desafios enfrentados por muitos consumidores, mesmo com as novas regras. O impacto da lei e os efeitos sobre o bolso dos brasileiros merecem uma análise detalhada.
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O que muda com a nova lei sobre os juros do cartão?
A nova legislação, incluída no programa Desenrola Brasil, impôs um teto para os juros cobrados sobre o saldo devedor no rotativo e no parcelamento do cartão de crédito. Anteriormente, os consumidores enfrentavam um efeito “bola de neve“, com os juros cobrados sobre juros acumulando-se rapidamente e tornando o pagamento da dívida cada vez mais difícil.
Com a nova lei, os bancos estão proibidos de cobrar juros superiores ao valor da dívida original. Isso significa que, caso o cliente não pague a totalidade da fatura, os juros não podem ultrapassar 100% do valor devido. Essa medida foi projetada para evitar o acúmulo descontrolado de encargos, proporcionando mais transparência e previsibilidade para quem utiliza o crédito.
A importância do limite de juros para os consumidores
Antes da implementação da nova lei, a taxa média de juros no rotativo do cartão de crédito era extremamente alta, chegando a impressionantes 442,1% ao ano. Isso gerava um ciclo vicioso de endividamento, no qual os consumidores ficavam cada vez mais sobrecarregados com dívidas impagáveis. A limitação dos juros, agora fixada em 100% do valor original da dívida, oferece um alívio significativo, tornando mais fácil para os clientes calcularem o impacto real de suas dívidas.
Além disso, com a nova regra, a situação do consumidor fica mais clara, uma vez que o valor da dívida não poderá mais dobrar indefinidamente. Isso também contribui para uma maior segurança jurídica, pois as decisões judiciais podem se basear nesse teto para determinar o quanto é legalmente aceitável que os bancos cobrem.
Os efeitos na inadimplência: um alerta para os consumidores
Embora a nova lei tenha trazido benefícios significativos, ela não impediu o aumento da inadimplência. Segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 8 em cada 10 consumidores que haviam saído das dívidas voltaram a ficar inadimplentes no final de 2024. Isso evidencia que, apesar da redução dos juros, muitos brasileiros continuam enfrentando dificuldades financeiras.
A principal razão para isso é a falta de uma educação financeira adequada. Muitos consumidores ainda não compreendem completamente o impacto das dívidas no longo prazo e, por isso, acabam acumulando novos débitos. A tendência de usar o crédito de forma desenfreada, sem um planejamento claro, é um dos principais fatores que levam ao aumento da inadimplência.
Histórico do rotativo no Brasil e as mudanças no sistema
O rotativo do cartão de crédito foi introduzido no Brasil no final dos anos 1960, quando o Bradesco trouxe o modelo dos Estados Unidos para o país. Desde então, ele tem sido uma ferramenta amplamente utilizada pelos consumidores, mas também gerador de sérios problemas financeiros. Quando o cliente não consegue pagar o total da fatura, ele pode optar por pagar o mínimo e transferir o saldo para o mês seguinte, com a cobrança de juros elevados.
O problema se agravou ao longo dos anos, com os bancos cobrando taxas cada vez mais altas. Em 2017, o Banco Central tentou controlar a situação com uma resolução que exigia que, após 60 dias sem pagamento da dívida, o banco oferecesse condições de parcelamento mais vantajosas. Porém, essa medida não foi suficiente para resolver o problema, e a nova lei de 2024 trouxe uma solução mais efetiva.
A estratégia dos bancos e as alternativas oferecidas
Antes da implementação da nova lei, os bancos frequentemente utilizavam uma estratégia de “maquiar” os juros do rotativo. Os consumidores recebiam faturas com valores extremamente altos e, diante da impossibilidade de pagar, eram convencidos a migrar para opções de crédito pessoal ou consignado. Essas alternativas, embora mais baratas, ainda assim representavam uma armadilha para muitos, que ficavam presos a novas dívidas.
Com a limitação dos juros, os bancos perderam uma ferramenta importante para pressionar os clientes. Isso ajudou a reduzir a armadilha dos juros compostos e a oferecer alternativas mais justas para os consumidores. A medida também trouxe mais clareza ao sistema, permitindo que os clientes entendessem melhor as condições de suas dívidas.
A importância da educação financeira para evitar o superendividamento
Embora a nova lei tenha sido um avanço importante, ela não resolve o problema do superendividamento de forma completa. A educação financeira continua sendo uma das principais ferramentas para prevenir o endividamento excessivo e ajudar os consumidores a tomar decisões mais informadas sobre o uso do crédito. O Banco Central já reconheceu que a inclusão financeira é essencial para combater o superendividamento, e isso só será possível com uma maior conscientização sobre como funciona o crédito e os juros.
Como o Banco Central lida com os dados de juros?
Uma crítica levantada por diversas entidades do setor financeiro é a forma como o Banco Central divulga os dados sobre os juros do rotativo. O BC ainda usa a taxa anual para calcular e apresentar as informações, o que pode causar confusão, visto que a nova lei limita a cobrança de juros a 100% da dívida original, ou seja, as taxas anuais já não refletem a realidade do mercado.
Algumas associações sugerem que o Banco Central adote a taxa mensal, o que daria aos consumidores uma visão mais clara e precisa sobre os encargos. No entanto, o Banco Central argumenta que a taxa anual é mais adequada para comparações internacionais e para manter a consistência nas séries históricas.

A implementação da nova lei que limita os juros do rotativo do cartão de crédito foi uma medida importante para evitar o endividamento excessivo e dar mais transparência aos consumidores. No entanto, a inadimplência continua sendo um problema, evidenciando que a falta de educação financeira é um desafio persistente. Embora a lei tenha sido um passo positivo, a conscientização financeira e o planejamento são fundamentais para que os consumidores possam realmente se beneficiar das novas regras e evitar cair nas armadilhas do crédito.




