O estoque da dívida pública federal fechou o mês de janeiro de 2025 em R$ 7,25 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (26). O montante representa uma queda de 0,87% em relação a dezembro de 2024, quando o total registrado era de R$ 7,32 trilhões. Em valores nominais, a redução foi de R$ 63,39 bilhões.
A dívida pública federal é composta pelos débitos contraídos pelo governo para financiar o déficit orçamentário, cobrindo despesas que superam a arrecadação com impostos, contribuições e outras receitas. Esse indicador é acompanhado de perto por investidores e agências de classificação de risco, pois reflete a capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros no longo prazo.
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A redução no estoque da dívida ocorreu em um cenário de ajustes na política fiscal e monetária. A trajetória do endividamento do governo é um fator determinante para a estabilidade econômica e pode influenciar diretamente as taxas de juros e a percepção de risco dos investidores.

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Composição do estoque da dívida
A dívida pública federal se divide em dois principais segmentos: a dívida interna, denominada DPMFi (Dívida Pública Mobiliária Federal interna), e a dívida externa, chamada DPFe (Dívida Pública Federal externa).
Dívida interna
A DPMFi, que representa a maior parte do endividamento do governo, caiu levemente em janeiro. O saldo passou de R$ 6,97 trilhões em dezembro para R$ 6,95 trilhões no mês seguinte. Esse tipo de dívida é composta por títulos emitidos pelo Tesouro Nacional no mercado doméstico e adquiridos por bancos, investidores institucionais e pessoas físicas.
A dívida interna está sujeita a variações nas taxas de juros e nas expectativas do mercado em relação à política econômica. Em momentos de maior incerteza, o custo de captação do governo pode aumentar, elevando o peso dos juros sobre a dívida total.
Dívida externa
A DPFe, que corresponde à parcela da dívida emitida em mercados internacionais, apresentou uma redução mais significativa no período. O saldo caiu de R$ 349,2 bilhões em dezembro para R$ 301,8 bilhões em janeiro. Esse recuo pode estar relacionado à valorização do real frente ao dólar ou ao resgate de títulos que venceram no período.
A dívida externa tem uma importância estratégica, pois permite ao governo captar recursos em diferentes mercados e reduzir a dependência do financiamento interno. No entanto, variações cambiais podem impactar o valor devido em moeda local, aumentando os custos de pagamento quando o real se desvaloriza frente a outras moedas.
Dívida bruta do governo atinge 76,1% do PIB
Apesar da redução no estoque da dívida pública federal, a dívida bruta do governo geral (DBGG) encerrou 2024 em 76,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram divulgados pelo Banco Central em 31 de janeiro e apontam um aumento de 2,2 pontos percentuais em comparação com 2023.
A dívida bruta inclui não apenas os títulos emitidos pelo governo federal, mas também os débitos de estados e municípios e os compromissos assumidos junto ao Banco Central. Em valores nominais, a DBGG chegou a R$ 9 trilhões em dezembro de 2024.
A relação entre dívida e PIB é um dos principais indicadores de sustentabilidade fiscal. Quanto maior o percentual, maior a necessidade de o governo buscar receitas adicionais ou reduzir despesas para garantir o equilíbrio das contas públicas. Os dados de janeiro de 2025 ainda não foram divulgados pelo Banco Central, mas devem ser apresentados em 12 de março.
Reserva de liquidez registra queda de 13,51%
A reserva de liquidez do governo federal, conhecida como colchão da dívida, também registrou um recuo expressivo em janeiro. O saldo caiu para R$ 743,92 bilhões, o que representa uma redução de 13,51% em relação ao montante de dezembro de 2024, que era de R$ 860,15 bilhões.
Esse fundo tem a função de garantir o pagamento dos vencimentos da dívida pública no curto prazo, reduzindo o risco de inadimplência do governo. Com o montante atual, o Tesouro Nacional consegue cobrir aproximadamente 6,72 meses de pagamentos. Em janeiro de 2024, essa reserva era suficiente para 7,10 meses.
A redução no colchão da dívida pode indicar maior necessidade de captação de recursos nos próximos meses. Caso a reserva continue caindo, o governo pode precisar emitir mais títulos ou buscar outras fontes de financiamento para garantir o pagamento das obrigações.
Impactos e perspectivas para a dívida pública
A trajetória da dívida pública é um tema central para a economia brasileira. A redução no estoque em janeiro pode ser um sinal positivo, mas a dívida bruta elevada e a queda na reserva de liquidez exigem atenção do governo e dos agentes econômicos.
Entre os fatores que podem influenciar a evolução da dívida nos próximos meses estão:
- Crescimento econômico: Um crescimento mais forte da economia pode aumentar a arrecadação de impostos, reduzindo a necessidade de endividamento.
- Taxa de juros: Juros mais baixos reduzem o custo da dívida, enquanto altas na Selic podem pressionar o endividamento do governo.
- Política fiscal: Medidas para controlar gastos e melhorar a eficiência da arrecadação podem contribuir para a sustentabilidade da dívida.
- Câmbio e cenário externo: Flutuações cambiais e mudanças no cenário internacional afetam a atratividade dos títulos brasileiros e a demanda por financiamento externo.

A redução da dívida pública depende de uma combinação de crescimento econômico sustentável, controle de gastos e um ambiente de investimentos favorável. O governo deve continuar monitorando a evolução dos indicadores fiscais para garantir a estabilidade das contas públicas e evitar riscos à credibilidade do país no mercado financeiro.
Os próximos relatórios do Tesouro Nacional e do Banco Central trarão novos dados sobre o endividamento do governo e sua relação com o desempenho da economia brasileira.




