O preço do gás de cozinha pesa cada vez mais no bolso dos brasileiros. Em diversas cidades, o botijão de 13 quilos chega a custar valores próximos de R$ 140, um montante que compromete boa parte da renda de famílias de baixa renda. Para mudar essa realidade, o governo federal anunciou o Programa Gás do Povo, que promete ser uma solução definitiva e muito mais ampla do que o auxílio temporário pago nos últimos anos.
Com previsão de início em 2025, o projeto tem como objetivo garantir que milhões de famílias tenham acesso regular e gratuito ao botijão, ajudando a aliviar o orçamento doméstico e reduzindo riscos à saúde. Mas como será feito o acesso ao benefício, quem poderá participar e quantos botijões estarão disponíveis por ano? A seguir, explicamos todos os pontos que já foram divulgados.
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O que é o Programa Gás do Povo?

O Gás do Povo é uma nova política pública que substituirá o antigo Auxílio Gás. Diferente da iniciativa anterior, que consistia em transferir dinheiro para a compra do produto, agora a entrega será do próprio botijão, de forma gratuita, por meio de postos de revenda autorizados.
A proposta é alcançar aproximadamente 15,5 milhões de lares até 2026. Isso significa que mais de 50 milhões de pessoas em todo o território nacional devem ser beneficiadas. O governo defende que a medida não se limita a aliviar custos, mas também melhora a qualidade de vida, já que evita o uso de lenha e carvão, combustíveis que aumentam o risco de doenças respiratórias e acidentes domésticos.
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Por que o novo programa foi criado?
O Auxílio Gás, lançado em 2021, tinha como intenção mitigar os efeitos da alta nos preços, mas esbarrava em limitações práticas. Ele alcançava pouco mais de 5 milhões de famílias, número considerado insuficiente. Além disso, como o benefício era em dinheiro, não havia controle sobre o uso real do recurso, e parte dos beneficiários relatava dificuldades para manter a regularidade da compra do gás.
Outro ponto que pesou foi a diferença entre o preço de referência e o valor final pago pelo consumidor. Enquanto o custo médio na refinaria ficava em torno de R$ 37 por botijão, o preço ao consumidor chegava a mais de três vezes esse valor, devido a transporte, impostos e margem de revenda. O novo modelo busca enfrentar essa distorção e ampliar o alcance da política social.
Quem terá direito ao Gás do Povo?
O acesso ao programa será feito com base no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). Isso significa que não haverá necessidade de inscrição separada.
O público prioritário será composto por famílias com renda per capita de até meio salário mínimo e também pelos beneficiários do Bolsa Família. Dentro desse grupo, terão prioridade os núcleos familiares mais numerosos e com menor renda declarada.
Um ponto importante é que nem todas as famílias inscritas no Bolsa Família receberão o benefício, já que atualmente o programa atende cerca de 19 milhões de lares, mas o Gás do Povo está planejado para chegar a 15,5 milhões até 2026. Por isso, manter os dados do CadÚnico atualizados será essencial para não correr o risco de exclusão.
Quantos botijões cada família poderá receber?
A distribuição não será ilimitada e seguirá um critério definido pelo tamanho do grupo familiar. Essa regra foi pensada para equilibrar a oferta de acordo com o consumo médio de cada domicílio.
Quantidade de botijões por família
Famílias compostas por até duas pessoas poderão retirar até três botijões por ano, em intervalos de quatro meses.
Famílias com três integrantes terão direito a quatro unidades por ano, com retirada a cada três meses.
Famílias com quatro ou mais pessoas poderão retirar até seis botijões anuais, o que equivale a um a cada dois meses.
Com esse desenho, o programa busca conciliar justiça social e sustentabilidade orçamentária, de forma que os recursos alcancem um número maior de famílias.
Como será feita a retirada do benefício?
Os botijões serão retirados diretamente nos pontos de revenda credenciados. Não haverá transferência de dinheiro. O controle será realizado de forma digital, com opções de validação variadas para facilitar a vida do usuário.
Entre as possibilidades estão o uso de um aplicativo oficial, um cartão exclusivo do programa, a integração com o cartão do Bolsa Família ou mesmo um QR Code disponível nos canais digitais da Caixa Econômica Federal.
A retirada será gratuita. Porém, caso o beneficiário queira que o botijão seja entregue em casa, os custos de frete ficarão sob sua responsabilidade.
Quando o programa Gás do Povo começa a funcionar
O governo estabeleceu duas etapas para a implementação. A primeira será em novembro de 2025, em caráter experimental, atingindo algumas localidades selecionadas. A segunda fase começa em março de 2026, quando a meta é expandir o atendimento para todos os 15,5 milhões de lares elegíveis.
As distribuidoras participantes terão identidade visual padronizada, facilitando a identificação do programa nos pontos de venda. O aplicativo oficial, ainda em desenvolvimento, também deverá oferecer informações atualizadas sobre os locais onde a retirada poderá ser feita em cada cidade.
E se não houver revenda credenciada na cidade?
A legislação prevê que empresas que detêm mais de 10% de participação no mercado estadual de gás devem garantir cobertura em municípios menores. Se ainda assim não houver posto credenciado no local de residência, o beneficiário precisará buscar o botijão na cidade mais próxima.
Essa medida visa ampliar o alcance territorial do programa e evitar que regiões mais isoladas fiquem sem atendimento.
Impactos para saúde e qualidade de vida
Além do alívio financeiro, o Gás do Povo também terá efeito positivo na saúde pública. A Organização Mundial da Saúde já alertou que cozinhar com lenha pode liberar até 33 vezes mais poluentes dentro de casa do que o uso de gás liquefeito de petróleo (GLP). Esse tipo de poluição aumenta os riscos de problemas respiratórios e cardiovasculares, especialmente em crianças e idosos.
Em muitas regiões do país, o uso de lenha ainda é uma realidade de necessidade, não de escolha. O programa pretende reduzir essa prática, tornando o preparo de alimentos mais seguro e saudável.
Custos e financiamento do programa
De acordo com estimativas oficiais, o Gás do Povo exigirá cerca de R$ 3,57 bilhões em 2025 e R$ 5,1 bilhões em 2026. Esses valores já estão previstos na Lei Orçamentária Anual.
O repasse para as revendas será feito a partir de preços de referência do GLP definidos em cada estado, em conjunto pelo Ministério de Minas e Energia, Ministério da Fazenda e Agência Nacional do Petróleo. Esse mecanismo garante que o valor pago seja compatível com a realidade de cada região.
Onde buscar informações oficiais?
Quem tiver dúvidas poderá contar com diferentes canais de atendimento. O principal será o Disque 121, que funciona todos os dias, em tempo integral. Também será possível registrar solicitações pela plataforma FalaBR, além de buscar informações presencialmente em agências da Caixa Econômica Federal, especialmente voltado a quem não tem acesso digital.
Considerações finais

O Gás do Povo chega como uma das principais políticas sociais para os próximos anos, com o desafio de ampliar o acesso ao gás de cozinha e garantir dignidade para milhões de famílias. Ao substituir o antigo Auxílio Gás e entregar diretamente o botijão, o governo busca corrigir falhas do passado e oferecer uma solução mais prática, eficiente e transparente.
Embora nem todas as famílias inscritas no Bolsa Família sejam contempladas, a expectativa é de que a iniciativa ajude a reduzir desigualdades, melhorar a segurança alimentar e diminuir os riscos à saúde causados pelo uso de combustíveis alternativos.
Se você está no público-alvo, a principal recomendação é manter os dados no CadÚnico atualizados e acompanhar os canais oficiais para saber quando e como poderá retirar seu benefício.
Imagem: Canva




