O Brasil vive um momento de recorde histórico no número de trabalhadores com carteira assinada. Segundo os dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país alcançou a marca de 39,6 milhões de trabalhadores formais, um crescimento significativo de 1,1% no trimestre encerrado em fevereiro de 2025. Este aumento está diretamente relacionado ao bom desempenho das contratações no comércio e reflete um cenário de recuperação econômica.
Apesar desse avanço no mercado formal, o Brasil ainda enfrenta desafios com a taxa de informalidade, que continua alta. Neste artigo, vamos analisar os dados mais recentes da Pnad Contínua, os fatores que contribuíram para o crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada e o impacto das mudanças na economia brasileira.
Segundo os dados mais recentes da Pnad Contínua, o número de trabalhadores com carteira assinada no Brasil cresceu 1,1% no trimestre encerrado em fevereiro de 2025. Isso representa uma grande conquista para o país, já que, pela primeira vez, o total de trabalhadores com vínculo formal atingiu a marca de 39,6 milhões.
Esse crescimento é especialmente importante em um momento em que o Brasil ainda lida com os efeitos da crise econômica que afetou diversas áreas no passado. O aumento no número de trabalhadores com carteira assinada reflete uma tendência de recuperação no mercado de trabalho e é um indicativo de que as políticas de incentivo à formalização têm surtido efeito.
Queda na informalidade e aumento no número de servidores públicos
Além do recorde de trabalhadores com carteira assinada, o Brasil também viu uma redução no número de trabalhadores informais. Em fevereiro de 2025, a quantidade de empregados sem carteira assinada caiu 6%, o que resultou em um total de 13,5 milhões de pessoas em situação de informalidade. Apesar disso, o número de trabalhadores informais ainda é expressivo, representando 38,1% da população ocupada.
No setor público, o número de servidores também teve uma ligeira redução de 3,9% em relação ao trimestre anterior, totalizando 12,4 milhões de trabalhadores. Isso reflete uma dinâmica de ajustes fiscais e administrativos que impactam as contratações e a manutenção dos empregos públicos.
A taxa de desemprego e os desafios persistentes
Embora o mercado de trabalho tenha registrado avanços no número de trabalhadores com carteira assinada e na redução da informalidade, a taxa de desemprego no Brasil aumentou para 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2025. Essa alta de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre anterior é um sinal de que ainda existem desafios significativos a serem enfrentados para garantir a inclusão de mais brasileiros no mercado de trabalho formal.
Apesar da alta no desemprego, o número de desocupados foi o menor para os trimestres encerrados em fevereiro desde 2014. A taxa de desocupação, que representa o número de pessoas que estão ativamente buscando emprego, chegou ao patamar de 6,8%, um nível que já foi considerado o mais baixo da série histórica.
A importância da Pnad Contínua para o monitoramento do emprego
A Pnad Contínua tem sido um instrumento fundamental para o monitoramento do mercado de trabalho no Brasil. A pesquisa coleta dados trimestrais e abrange uma amostra representativa de 211 mil domicílios em todo o território nacional, permitindo que o IBGE acompanhe as principais tendências e mudanças no mercado de trabalho.
A metodologia da pesquisa, que inclui pessoas com 14 anos ou mais aptas a trabalhar, permite uma análise detalhada das condições de emprego no Brasil, fornecendo informações cruciais para a formulação de políticas públicas e para a interpretação do cenário econômico.
A taxa de subutilização e a população desalentada
Outro dado importante da Pnad Contínua foi o índice de subutilização da força de trabalho, que ficou em 15,5%. Isso significa que há uma parte significativa da população que, embora esteja trabalhando, ainda não consegue acessar um emprego pleno em termos de jornada e remuneração.
Além disso, o levantamento também revelou que 3,2 milhões de brasileiros estão na situação de desalento, ou seja, desistiram de procurar trabalho devido à falta de oportunidades no mercado.
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com
O aumento no número de trabalhadores com carteira assinada e a queda na informalidade são sinais positivos para o mercado de trabalho no Brasil, mas ainda há desafios a serem enfrentados. A taxa de desemprego e a população subutilizada continuam sendo questões centrais para as políticas públicas que buscam garantir um mercado de trabalho mais justo e igualitário. A Pnad Contínua continuará a ser uma ferramenta essencial para acompanhar a evolução desses indicadores e entender as tendências do mercado de trabalho brasileiro.