Um levantamento recente da Serasa Experian, divulgado em agosto de 2025, mostra que os brasileiros destinam 70,5% da renda mensal para pagar dívidas e contas essenciais. Entre essas despesas estão faturas de cartão de crédito, contas de energia elétrica, internet e empréstimos. Isso deixa, em média, apenas R$ 968 disponíveis para outros gastos no mês.
Os dados mostram que o peso das dívidas é mais forte para trabalhadores de menor renda, enquanto aqueles com salários mais altos conseguem equilibrar melhor seu orçamento. A pesquisa evidencia uma realidade que exige planejamento financeiro e atenção aos gastos.
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Comprometimento da renda por faixa salarial, segundo a Serasa

O estudo da Serasa aponta que quanto menor a renda, maior a parcela comprometida com dívidas:
- Até um salário mínimo: 90,1% da renda comprometida, restando R$ 120 mensais.
- Dois salários mínimos: 79,4% comprometidos, sobrando R$ 410.
- Três salários mínimos: 71,1% da renda comprometida, com R$ 1.056 disponíveis.
- Acima de dez salários mínimos: 58,2% comprometidos, a menor taxa observada.
Esses números evidenciam que a capacidade de pagamento está diretamente relacionada ao nível de renda, tornando o controle financeiro ainda mais crítico para quem ganha menos.
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Consequências do alto comprometimento financeiro
Destinar grande parte da renda a dívidas afeta a vida cotidiana das famílias:
- Reduz o poder de consumo e limita lazer e compras.
- Dificulta a formação de reservas ou poupança.
- Aumenta o estresse e a preocupação com o pagamento de contas.
- Pode gerar um ciclo de endividamento, já que atrasos aumentam juros e dívidas acumuladas.
Para famílias de baixa renda, essas consequências são mais graves, pois qualquer imprevisto pode gerar dificuldades financeiras ainda maiores.
Tendência de redução do comprometimento da renda
Apesar de alto, o comprometimento da renda vem diminuindo gradualmente nos últimos anos. Em 2022, estava em 72,3%; caiu para 72% em 2023; 70,9% em 2024; e 70,5% em 2025. Segundo Eduardo Mônaco, vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa, a redução pode estar ligada ao mercado de trabalho mais aquecido e políticas de estímulo à renda, mas ele alerta que o aumento da renda ainda não impediu o crescimento da inadimplência, que permanece elevado.
Inadimplência no Brasil e informações da Serasa
Em junho de 2025, havia 77,8 milhões de inadimplentes, cerca de quatro a cada dez brasileiros, com aumento de 1% em relação ao mês anterior. Grande parte dessas pessoas está na faixa de menor renda, comprometendo quase toda a renda mensal com dívidas.
O estudo utilizou dados das soluções Renda e Renda+ da Serasa, que estimam a renda da população e ajudam a medir a capacidade de pagamento das famílias.
Principais fatores que levam ao alto comprometimento da renda
Alguns motivos explicam por que tantas famílias brasileiras enfrentam dificuldade para equilibrar o orçamento:
- Cartões de crédito e empréstimos pessoais com juros elevados.
- Contas essenciais como energia, água, gás e internet.
- Parcelamentos de bens, como veículos e imóveis.
- Falta de planejamento financeiro e reservas de emergência.
- Inflação e aumento do custo de vida.
A desigualdade salarial também agrava o problema, já que quem ganha menos não consegue absorver custos inesperados como os mais ricos conseguem.
Como reduzir o comprometimento da renda

Mesmo com o cenário desafiador, é possível adotar estratégias para melhorar a situação financeira:
- Priorizar dívidas com juros mais altos.
- Planejar o orçamento detalhando todas as despesas.
- Negociar débitos junto a bancos e empresas para obter condições melhores.
- Criar uma reserva financeira, mesmo pequena, para emergências.
- Usar crédito de forma consciente, evitando parcelamentos desnecessários.
Aplicar essas estratégias pode reduzir o peso das dívidas e aumentar a margem de manobra no orçamento.
A Serasa oferece plataformas digitais que ajudam os consumidores a monitorar contas, receber alertas de vencimento e estimar a capacidade de pagamento. Aplicativos de controle de gastos também podem ser aliados importantes, especialmente para quem possui renda limitada.
Considerações finais
O estudo da Serasa mostra que grande parte da renda dos brasileiros está comprometida com dívidas, principalmente entre trabalhadores de menor renda. Apesar de uma redução gradual nos últimos anos, a inadimplência continua alta. Planejamento financeiro, priorização de dívidas e uso consciente do crédito são passos essenciais para melhorar a saúde financeira e garantir mais segurança diante de imprevistos.
Imagem: Canva



