A safra de café do Brasil, maior produtor e exportador global, deverá sofrer uma queda expressiva no ciclo 2025/26. Relatórios de bancos como Rabobank e Itaú BBA apontam redução entre 3% e 6,4% na produção nacional, reflexo direto do clima seco registrado em 2024. O mercado já se mobiliza diante da possibilidade de alta nos preços e impacto nas exportações.
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Adversidades climáticas agravam situação das lavouras

O ano de 2024 foi marcado por longos períodos de estiagem nas principais regiões cafeeiras do Brasil. Essa seca prejudicou principalmente o pegamento da florada do café, etapa essencial para determinar a produtividade e a qualidade dos grãos. Sem chuvas no momento crítico, a formação dos frutos foi comprometida.
Segundo o Rabobank, a produção de café arábica deve encolher 13,6%, atingindo cerca de 38 milhões de sacas. O café robusta, por sua vez, mais tolerante à seca, pode crescer 7,3%, alcançando o volume recorde de 24,7 milhões de sacas.
Regiões produtoras sofrem os maiores impactos
Áreas tradicionais como o Sul de Minas Gerais e o Cerrado Mineiro foram fortemente afetadas pela estiagem. Mesmo com o retorno das chuvas no fim de março, os danos já eram irreversíveis para grande parte das lavouras de arábica.
Modelos climáticos indicam que a recuperação será lenta e difícil. Muitos cafeicultores relatam perdas expressivas, que deverão se refletir nos números finais da colheita em 2025.
Expectativas revisadas para a colheita
As estimativas mais recentes mostram queda considerável na produção de café. O Rabobank prevê uma safra total de 62,8 milhões de sacas, 6,4% menor que a do ciclo anterior.
O Itaú BBA, por sua vez, projeta uma safra de 64,4 milhões de sacas, o que corresponde a uma redução de 3%. A diferença nas previsões se deve à incerteza climática que ainda ronda o país, com possibilidade de novas oscilações nos próximos meses.
Enquanto a produção de arábica despenca, o crescimento do robusta traz um certo alívio, mas insuficiente para compensar toda a perda.
Robusta ganha protagonismo no cenário desafiador
A variedade robusta, cultivada principalmente no Espírito Santo e em Rondônia, mostrou resiliência diante das adversidades. Essa expansão é crucial para atenuar a queda geral na produção, já que o arábica responde por grande parte da receita de exportações.
Apesar do bom desempenho esperado para o robusta, especialistas alertam que a qualidade dos grãos pode ser afetada se o clima adverso persistir, comprometendo o potencial de valorização dessa variedade no mercado.
Pressão sobre os preços no mercado interno e externo
Com uma oferta menor de café arábica, considerado de melhor qualidade, a tendência é de elevação dos preços. A lei da oferta e demanda deverá pesar especialmente sobre o segmento premium, impactando tanto o mercado brasileiro quanto o internacional.
O movimento de alta já começou a ser observado em contratos futuros nas bolsas de commodities, e há expectativa de que o consumidor final também sinta o impacto nos preços ao longo de 2025.
Exportações brasileiras podem perder força
O Brasil é responsável por cerca de 40% das exportações mundiais de café. A redução na safra de arábica deve comprometer a competitividade do país nos mercados externos.
Com a queda na disponibilidade e preços mais elevados, compradores podem buscar alternativas em outros países produtores, o que representaria perda de participação de mercado para o Brasil no curto prazo.
Perguntas frequentes sobre a safra de café 2025/26

Qual é a previsão de produção de café para 2025/26?
As projeções indicam que o Brasil deverá produzir entre 62,8 e 64,4 milhões de sacas, dependendo do cenário climático até o fim da colheita.
Como a estiagem de 2024 influenciou a produção?
A falta de chuvas no período crítico do desenvolvimento dos grãos prejudicou principalmente o café arábica, resultando em florescimento irregular e baixa frutificação.
O que se espera para os preços do café em 2025?
Com a oferta de arábica reduzida, a tendência é de aumento nos preços, tanto no mercado interno quanto nas exportações.
Há como minimizar os impactos do clima nas próximas safras?
Sim. Investimentos em irrigação, manejo de solo, escolha de variedades mais resistentes e práticas agrícolas adaptativas são essenciais para reduzir os riscos.
Perspectivas e desafios para o café brasileiro
A safra 2025/26 se desenha como uma das mais desafiadoras dos últimos anos para o setor cafeeiro brasileiro. Apesar do crescimento esperado para o robusta, a expressiva queda do arábica pressiona os preços e gera incertezas para produtores e exportadores.
O mercado seguirá atento às condições climáticas e à evolução da colheita nos próximos meses. A adaptação a um cenário de maior variabilidade climática será crucial para garantir a sustentabilidade da produção de café no Brasil a longo prazo.




