O auxílio-doença é um dos benefícios mais conhecidos da Previdência Social, mas também um dos que mais geram dúvidas entre os trabalhadores. Em 2025, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continua responsável pelo pagamento, mas algumas regras e processos chamam atenção, principalmente no momento de solicitar o benefício.
Muitos segurados ainda não sabem exatamente quem tem direito, como comprovar a incapacidade e de que forma os valores são calculados. Além disso, com as mudanças tecnológicas e a digitalização dos serviços, pedir o auxílio ficou mais prático — mas exige atenção para não errar no processo. Se você está nessa situação, este guia vai te ajudar a entender tudo o que precisa saber.
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O que é o auxílio-doença?

O auxílio-doença é um benefício previdenciário pago pelo INSS a trabalhadores que ficam temporariamente incapazes de exercer suas atividades habituais por motivo de doença ou acidente.
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O ponto-chave aqui é a incapacidade temporária: o benefício não é destinado a quem não pode mais trabalhar de forma definitiva, caso em que entra em cena a aposentadoria por invalidez.
De forma resumida:
- Se você pode se recuperar e voltar a trabalhar → auxílio-doença.
- Se não tem condições permanentes de retorno → aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez).
Quem tem direito ao auxílio-doença em 2025?
Nem todo trabalhador pode solicitar o benefício automaticamente. É preciso cumprir alguns requisitos:
Requisitos básicos
- Qualidade de segurado: estar contribuindo para o INSS ou dentro do período de graça (aquele tempo em que a pessoa mantém a proteção previdenciária mesmo sem contribuir).
- Carência: ter no mínimo 12 contribuições mensais, exceto nos casos de acidente de trabalho ou doenças graves previstas em lei.
- Comprovação da incapacidade: apresentar laudo médico e passar por perícia do INSS.
Período de carência
O período de carência é um dos pontos que mais gera confusão. Em regra, são necessários 12 meses de contribuição. Mas há exceções:
- Isenção de carência: algumas doenças graves como câncer, tuberculose ativa e HIV não exigem carência.
- Acidente de qualquer natureza: também dispensa a exigência de 12 contribuições.
Trabalhadores que podem pedir
Entre os grupos que podem solicitar o auxílio-doença estão:
- Empregados com carteira assinada.
- Contribuintes individuais (autônomos).
- Segurados facultativos.
- Empregados domésticos.
- Trabalhadores avulsos.
Já servidores públicos, em regra, têm regimes próprios de previdência.
Como funciona a perícia médica do INSS?
A perícia é a etapa decisiva para conseguir o auxílio-doença. É ela que vai confirmar se a incapacidade existe e qual a sua duração.
Agendamento
O agendamento da perícia pode ser feito:
- Pelo aplicativo Meu INSS.
- Pelo site oficial do INSS.
- Pelo telefone 135.
Documentos necessários
Para não correr risco de indeferimento, é essencial levar:
- Documento de identidade com foto.
- CPF.
- Carteira de trabalho ou comprovantes de contribuição.
- Atestados e laudos médicos detalhados (com CID da doença, tempo estimado de afastamento e assinatura do médico).
Duração do benefício
O perito pode conceder o auxílio por um período determinado. Caso a incapacidade persista, é necessário pedir a prorrogação do benefício, também pelo Meu INSS.
Valores do auxílio-doença em 2025
Um dos pontos mais importantes é entender como o valor é calculado.
Cálculo do benefício
Desde a reforma da Previdência, o cálculo do auxílio-doença segue estas regras:
- O INSS faz a média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994.
- O benefício será de 91% dessa média.
- Existe um limite: o valor não pode ultrapassar a média dos últimos 12 salários do segurado.
Exemplos práticos
- Se a média dos salários de contribuição for R$ 3.000, o benefício será R$ 2.730 (91%), desde que esse valor não ultrapasse a média dos últimos 12 salários.
- Caso o trabalhador tenha salários muito diferentes nos últimos anos, o cálculo pode ser menor do que o esperado.
Valor mínimo e máximo
- Valor mínimo: nunca pode ser inferior ao salário mínimo vigente (R$ 1.412 em 2025).
- Valor máximo: limitado pelo teto do INSS, que em 2025 está em torno de R$ 8.200.
Como solicitar o auxílio-doença em 2025?
O processo foi simplificado com os canais digitais, mas ainda exige atenção.
Passo a passo para solicitar
- Acesse o Meu INSS (site ou aplicativo).
- Clique em “Pedir benefício por incapacidade”.
- Preencha os dados solicitados.
- Anexe laudos médicos e documentos.
- Agende a perícia médica.
Pelo telefone 135
Outra opção é ligar para o 135 e seguir as instruções do atendimento eletrônico.
Presencialmente
O atendimento presencial só é indicado em casos de dificuldade de acesso à internet ou problemas com o sistema.
Diferença entre auxílio-doença comum e acidentário
Essa diferença é fundamental, porque impacta diretamente nos direitos do trabalhador.
Auxílio-doença comum
Concedido quando a incapacidade não tem relação com o trabalho. O contrato de trabalho fica suspenso e não há estabilidade no retorno.
Auxílio-doença acidentário
Concedido quando a incapacidade é resultado de acidente de trabalho ou doença ocupacional. Nesse caso:
- O empregador é obrigado a emitir a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).
- O trabalhador tem direito a estabilidade de 12 meses após o retorno.
Principais dúvidas sobre o auxílio-doença em 2025

É possível acumular auxílio-doença com outros benefícios?
Em regra, não é permitido acumular o auxílio-doença com aposentadoria. Mas pode ser acumulado com pensão por morte, por exemplo.
O que fazer se o pedido for negado?
Se o benefício for negado, o segurado pode:
- Entrar com recurso administrativo no INSS.
- Acionar a Justiça Federal.
O auxílio-doença conta para a aposentadoria?
Sim. O tempo em que o segurado recebe auxílio-doença conta como tempo de contribuição para aposentadoria, desde que tenha havido contribuição antes e depois do afastamento.
Considerações finais
O auxílio-doença em 2025 continua sendo um suporte essencial para milhões de brasileiros que, por problemas de saúde ou acidentes, ficam temporariamente afastados do trabalho. Apesar de parecer burocrático, o processo tem se tornado cada vez mais digital e acessível, principalmente com o uso do Meu INSS.
Entender quem tem direito, como funciona a perícia, quais documentos são exigidos e de que forma o valor é calculado é o caminho para garantir o benefício sem dor de cabeça. Se você ou alguém próximo precisa solicitar, agora já sabe todos os passos, regras e cuidados necessários.
Imagem: Canva




