A reforma da previdência de 2019 trouxe diversas alterações no sistema de seguridade social do Brasil, afetando diretamente os trabalhadores, especialmente no que diz respeito ao auxílio-doença e à aposentadoria por invalidez. Essas mudanças têm gerado dúvidas sobre os direitos dos segurados e como os benefícios serão concedidos após a reforma. Neste artigo, abordaremos as principais modificações nas regras para esses dois benefícios e como elas impactam os trabalhadores.
O que é o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez?
Antes de abordar as mudanças trazidas pela reforma da previdência, é importante entender o que são os benefícios de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez. Ambos são benefícios do sistema de previdência social destinado a segurados que não podem trabalhar devido a problemas de saúde.
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- Auxílio-doença: Benefício concedido ao segurado que fica incapaz de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos devido a doença, sendo pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Após esse período, o INSS assume o pagamento do benefício.
- Aposentadoria por invalidez: Benefício concedido ao trabalhador que, após ser diagnosticado com uma doença grave ou um acidente, se torna permanentemente incapaz de exercer qualquer atividade remunerada. Esse benefício é pago até o óbito do segurado ou até que ele se recupere da invalidez.
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As principais mudanças após a reforma da previdência
Com a reforma da previdência, os direitos dos trabalhadores no que diz respeito ao auxílio-doença e à aposentadoria por invalidez foram modificados. A seguir, vamos analisar as principais alterações:
1. Aposentadoria por invalidez: novas regras de cálculo
Antes da reforma, o valor da aposentadoria por invalidez era calculado com base na média dos 80% maiores salários de contribuição do trabalhador, considerando toda a sua vida de contribuições ao INSS. No entanto, com a reforma, a média salarial utilizada para o cálculo do benefício passou a ser diferente.
Agora, o valor da aposentadoria por invalidez será calculado com base na média de todas as contribuições do trabalhador, e não apenas nos 80% maiores salários. Isso pode levar a uma redução significativa no valor do benefício, especialmente para aqueles que têm períodos com salários mais baixos.
2. Auxílio-doença: requisitos para a concessão
As regras para concessão do auxílio-doença também sofreram alterações. Antes da reforma, o trabalhador que ficava incapacitado por mais de 15 dias poderia solicitar o benefício. Com a reforma, as condições para que o trabalhador tenha direito ao auxílio-doença foram mais rigorosas, principalmente em relação ao tempo de contribuição.
A reforma introduziu um novo requisito: o trabalhador precisará ter no mínimo 12 meses de contribuição ao INSS para ter direito ao auxílio-doença. Isso significa que aqueles que estavam começando a contribuir ou que não possuíam o tempo de contribuição exigido, mesmo que estivessem incapazes de trabalhar, não teriam mais direito a esse benefício.
3. Carência para os dois benefícios
A carência é o número mínimo de contribuições exigidas para que o trabalhador tenha direito a benefícios como o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez. Antes da reforma, o auxílio-doença exigia uma carência de 12 contribuições mensais, enquanto a aposentadoria por invalidez exigia 12 ou 24 contribuições, dependendo do caso.
Com as mudanças na reforma, a carência foi ajustada de forma a incluir o tempo de contribuição de maneira mais rígida. Para o auxílio-doença, a exigência de carência pode ser mais difícil de ser cumprida para aqueles que têm contribuições irregulares ou pouco tempo de contribuição, o que pode dificultar o acesso a esse benefício.
4. Reabilitação profissional e retorno ao trabalho
A reforma também trouxe novas regras para o retorno ao trabalho e para o processo de reabilitação profissional. Quando um trabalhador se aposenta por invalidez, o INSS exige que ele participe de programas de reabilitação profissional, que buscam ajudá-lo a retornar ao mercado de trabalho em uma função que ele possa desempenhar de acordo com suas limitações.
Antes da reforma, essa reabilitação não era obrigatória, mas agora ela se tornou uma parte essencial do processo para a recuperação do trabalhador. Além disso, o trabalhador pode ser convocado pelo INSS para se submeter a exames periódicos, com o objetivo de avaliar se ele ainda apresenta condições de trabalhar.
5. Exigência de perícia médica
Outro ponto importante da reforma foi a exigência de perícia médica mais rigorosa para a concessão de benefícios como o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez. O INSS passou a exigir exames mais detalhados para comprovar a incapacidade do trabalhador, com o objetivo de evitar fraudes e garantir que os benefícios sejam concedidos apenas a quem realmente necessita.
A perícia médica passou a ter mais critérios técnicos, sendo feita por médicos especializados que analisam não apenas os sintomas da doença, mas também o impacto da condição sobre a capacidade de trabalho do segurado. Isso, por um lado, garante mais precisão na concessão dos benefícios, mas, por outro, pode gerar uma maior dificuldade para quem realmente precisa dos benefícios.
Como os trabalhadores podem se preparar para as mudanças?

Diante dessas mudanças, é importante que os trabalhadores se preparem adequadamente para as novas exigências. Aqui estão algumas dicas para quem pode ser afetado pelas alterações na previdência:
1. Regularize suas contribuições ao INSS
Para garantir o direito ao auxílio-doença e à aposentadoria por invalidez, é fundamental que o trabalhador esteja com suas contribuições ao INSS em dia. Se você tem contribuições irregulares ou não contribui regularmente, é importante regularizar a situação o quanto antes.
2. Consulte um advogado especializado em previdência
Se você tem dúvidas sobre seus direitos ou está enfrentando dificuldades para obter esses benefícios, é recomendável procurar a ajuda de um advogado especializado em previdência social. Esse profissional pode orientar sobre as melhores formas de requerer os benefícios e como lidar com possíveis problemas.
3. Fique atento aos prazos e requisitos
A reforma da previdência trouxe mudanças no tempo de contribuição e na carência necessária para obter benefícios. Fique atento aos novos prazos e requisitos exigidos para garantir que você possa ter acesso ao auxílio-doença ou à aposentadoria por invalidez caso precise.
Conclusão
As mudanças na previdência social com a reforma de 2019 afetam diretamente a concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, tornando os processos mais rigorosos e exigentes. Os trabalhadores precisam estar cientes das novas regras, como a carência aumentada, a mudança no cálculo da aposentadoria e a exigência de perícias mais detalhadas.
Se você está em uma situação de incapacidade ou deseja saber mais sobre seus direitos, é essencial buscar informações detalhadas sobre o impacto da reforma para garantir o acesso a esses benefícios de maneira adequada.




