O número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil cresceu mais de 400% desde a pandemia e atingiu 472.328 licenças em 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social.
O aumento é expressivo quando comparado a 2020, ano marcado pelo auge da crise sanitária da Covid-19, quando 91.607 afastamentos foram registrados. Desde então, os números subiram ano a ano, alcançando 283.471 licenças em 2023 e disparando 68% apenas no último ano.
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O volume de afastamentos de 2024 representa o maior da série histórica iniciada em 2014, quando foram registradas 221.721 licenças por transtornos mentais. O avanço acelerado reflete o impacto da pandemia na saúde mental dos trabalhadores, o crescimento dos diagnósticos de ansiedade e depressão e desafios do mercado de trabalho.

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Impacto financeiro e duração das licenças
No ano passado, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recebeu mais de 3,5 milhões de pedidos de licença médica, sendo 472 mil por transtornos mentais. Cada afastamento durou, em média, três meses, com trabalhadores recebendo cerca de R$ 1,9 mil por mês. O impacto financeiro estimado ultrapassa R$ 3 bilhões.
Além disso, o crescimento no número de licenças médicas tem pressionado o sistema previdenciário, aumentando o tempo de espera para perícias médicas e dificultando a reinserção dos trabalhadores afastados no mercado de trabalho. Isso reforça a importância de estratégias para prevenir novos afastamentos e promover um ambiente de trabalho mais saudável.
Estados mais afetados
Os estados com maior número absoluto de afastamentos foram São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Entretanto, quando considerado o índice por população, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul lideram os registros.
No caso do Rio Grande do Sul, o estado enfrentou em 2024 uma das piores tragédias climáticas do país, com enchentes que deixaram milhares de pessoas desalojadas. Esse fator pode ter contribuído para o aumento das licenças por transtornos mentais.
Principais causas dos afastamentos
Os transtornos mentais que mais resultaram em afastamentos incluem:
- Depressão severa
- Transtorno de ansiedade generalizada
- Estresse pós-traumático
- Burnout (esgotamento profissional)
- Transtornos de adaptação relacionados ao ambiente de trabalho
Segundo especialistas, o ambiente corporativo tem um papel fundamental na saúde mental dos trabalhadores. Jornadas exaustivas, metas inalcançáveis e assédio moral estão entre os principais fatores que levam ao adoecimento mental.
Como as empresas podem agir para reduzir afastamentos

Diante do aumento dos afastamentos, muitas empresas têm investido em políticas de bem-estar e suporte psicológico para os colaboradores. Algumas das ações incluem:
- Implementação de programas de saúde mental
- Flexibilização de jornadas de trabalho
- Promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis
- Apoio de profissionais especializados, como psicólogos e terapeutas
- Treinamento de gestores para identificar sinais de esgotamento mental em suas equipes
- Criação de canais anônimos para denúncias de assédio e sobrecarga de trabalho
Além disso, muitas empresas têm apostado no modelo híbrido de trabalho, permitindo que os colaboradores conciliem melhor sua rotina profissional e pessoal, reduzindo os impactos negativos na saúde mental.
Perspectivas para o futuro
Com os números alarmantes de afastamentos por transtornos mentais, espera-se que a discussão sobre saúde mental no ambiente de trabalho ganhe ainda mais relevância nos próximos anos. O fortalecimento de políticas públicas e empresariais pode ser essencial para conter essa crise e oferecer suporte adequado aos trabalhadores brasileiros.
O governo e o setor privado precisarão trabalhar juntos para estabelecer diretrizes que incentivem a prevenção de transtornos mentais, evitando um impacto ainda maior na economia e na qualidade de vida da população. Além disso, especialistas alertam para a necessidade de maior investimento em saúde pública, incluindo um aumento no acesso a tratamentos psicológicos e psiquiátricos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que mais pessoas possam receber o atendimento necessário antes que a situação se agrave.




