Milhões de brasileiros ainda podem ter dinheiro esquecido em bancos, cooperativas, consórcios e outras instituições financeiras. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, os cidadãos sacaram R$ 403,29 milhões apenas em janeiro deste ano por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR).
Mesmo com esse volume de resgates, ainda restam cerca de R$ 10,5 bilhões disponíveis para devolução no sistema financeiro. Desde a criação da ferramenta, o SVR já devolveu R$ 13,76 bilhões a clientes bancários em todo o país.
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O serviço, mantido pelo Banco Central, permite que pessoas físicas, empresas e até herdeiros de pessoas falecidas consultem se possuem valores esquecidos em instituições financeiras.
A consulta é gratuita e pode ser feita online em poucos minutos.
O que é o Sistema de Valores a Receber
O Sistema de Valores a Receber é uma plataforma criada pelo Banco Central para permitir que cidadãos recuperem dinheiro que permaneceu parado em instituições financeiras.
Esses valores podem surgir de diversas situações do dia a dia financeiro, como contas encerradas ou cobranças indevidas.
O sistema foi lançado inicialmente em 2022 e passou por diversas atualizações para melhorar a segurança e ampliar o número de recursos disponíveis para devolução.
Hoje, o serviço se tornou uma das ferramentas mais procuradas do Banco Central na internet.
Como consultar se há dinheiro esquecido no seu nome
A consulta inicial pode ser feita rapidamente e não exige login na conta do governo.
Basta informar alguns dados básicos.
Passo a passo para consultar
- Acesse o Sistema de Valores a Receber
- Informe o CPF e a data de nascimento (ou CNPJ e data de abertura da empresa)
- Verifique se existe algum valor disponível
Caso o sistema indique que há dinheiro a receber, será necessário fazer login com uma conta Gov.br para verificar os detalhes do valor.
O Banco Central exige que a conta Gov.br esteja nos níveis prata ou ouro, além da verificação em duas etapas ativada, como medida de segurança.
Informações disponíveis após o login
Ao entrar no sistema com a conta Gov.br, o cidadão poderá visualizar informações importantes sobre o valor disponível.
Entre os dados exibidos estão:
- o valor a receber
- a origem do recurso
- a instituição financeira responsável
- informações de contato da instituição
- instruções para solicitar a devolução
Essas informações permitem que o cidadão saiba exatamente de onde veio o dinheiro e como fazer o resgate.
Como resgatar o dinheiro esquecido
Depois de confirmar que existe um valor disponível, o cidadão pode solicitar o resgate de três maneiras.
1. Contato direto com a instituição financeira
O cidadão pode entrar em contato diretamente com o banco, cooperativa ou empresa responsável pelo valor e solicitar a devolução.
Nesse caso, a instituição informará como será realizado o pagamento.
2. Solicitação pelo próprio sistema do Banco Central
Também é possível pedir o resgate diretamente pelo Sistema de Valores a Receber.
Após a solicitação, a instituição financeira é responsável por realizar o depósito.
3. Solicitação automática de resgate
Uma das novidades mais recentes do sistema é a função de solicitação automática.
Ao ativar essa opção, o cidadão não precisa consultar o sistema periodicamente.
Se novos valores forem identificados em seu nome no futuro, o sistema automaticamente solicitará o resgate.
Quem pode usar o resgate automático
A funcionalidade está disponível apenas para pessoas físicas e exige alguns requisitos:
- possuir chave Pix vinculada ao CPF
- ter conta Gov.br nível prata ou ouro
- ativar a verificação em duas etapas
A adesão ao serviço é opcional.
Quando um novo valor for liberado por alguma instituição financeira, o dinheiro será depositado diretamente na conta indicada.
De onde surgem os valores esquecidos
Os recursos disponíveis no sistema podem ter diversas origens.
Entre as principais estão:
- contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo
- cotas de capital de cooperativas de crédito
- recursos não resgatados de consórcios encerrados
- tarifas cobradas indevidamente
- parcelas de empréstimos cobradas de forma incorreta
- contas de pagamento pré ou pós-pagas encerradas
- contas mantidas por corretoras ou distribuidoras que foram encerradas
Esses valores permanecem guardados pelas instituições financeiras até que sejam reclamados pelos titulares.
Milhões de brasileiros ainda não sacaram o dinheiro
Segundo o Banco Central, o número de pessoas que ainda não resgataram seus valores continua elevado.
Até o fim de janeiro:
- 37.719.258 correntistas já sacaram valores
- 54.612.272 beneficiários ainda não fizeram o resgate
Entre os que já receberam dinheiro:
- 33.740.425 são pessoas físicas
- 3.978.833 são pessoas jurídicas
Já entre aqueles que ainda têm valores disponíveis:
- 49.520.452 são pessoas físicas
- 5.091.820 são empresas
Isso mostra que milhões de brasileiros ainda podem ter dinheiro esquecido no sistema financeiro.
A maioria dos valores é pequena
Os dados do Banco Central mostram que a maior parte das pessoas tem direito a quantias relativamente baixas.
A distribuição dos valores disponíveis segue o seguinte padrão:
- até R$ 10: 64,57% dos beneficiários
- entre R$ 10,01 e R$ 100: 23,49%
- entre R$ 100,01 e R$ 1 mil: 10,04%
- acima de R$ 1 mil: 1,9%
Mesmo assim, especialistas recomendam fazer a consulta, já que muitas pessoas podem ter valores maiores disponíveis.
Além disso, novos recursos continuam sendo incluídos no sistema conforme as instituições financeiras atualizam suas bases de dados.
Herdeiros também podem resgatar valores
O sistema também permite que herdeiros consultem valores deixados por pessoas falecidas.
Nesse caso, o procedimento exige documentação que comprove a condição de herdeiro ou representante legal.
Após a verificação das informações, o valor pode ser liberado para os beneficiários.
Banco Central alerta para golpes
Com a popularização do sistema, o Banco Central passou a alertar os cidadãos sobre tentativas de golpe relacionadas ao resgate de valores esquecidos.
Criminosos têm enviado mensagens, e-mails ou links falsos prometendo intermediar o saque do dinheiro.
O Banco Central reforça algumas orientações importantes.
O que você precisa saber para evitar golpes
- Todos os serviços do SVR são gratuitos
- O Banco Central não envia links para resgate
- A consulta deve ser feita apenas no sistema oficial
- Nunca informe senhas ou códigos de segurança
- Nenhuma pessoa está autorizada a cobrar taxa para liberar valores
Se alguém oferecer ajuda para recuperar valores mediante pagamento, trata-se de tentativa de golpe.
Por que o sistema foi criado
O Sistema de Valores a Receber foi criado para aumentar a transparência no sistema financeiro e facilitar a devolução de recursos esquecidos.
Antes da criação da ferramenta, muitos desses valores permaneciam anos sem serem resgatados, simplesmente porque os clientes não sabiam da existência do dinheiro.
Com o sistema centralizado, o Banco Central passou a reunir essas informações em um único ambiente digital.
Isso facilitou o acesso da população e permitiu que bilhões de reais voltassem para os titulares.
Vale a pena consultar o sistema regularmente
Mesmo que o cidadão não tenha valores disponíveis hoje, especialistas recomendam verificar o sistema periodicamente.
Isso acontece porque novas informações podem ser incluídas pelas instituições financeiras ao longo do tempo.
Assim, uma consulta que hoje não apresenta resultados pode revelar valores disponíveis no futuro.
O processo é rápido, gratuito e pode garantir a recuperação de recursos esquecidos ao longo da vida financeira.




