Uma mudança nas diretrizes do INSS promete ampliar o alcance do Salário-Maternidade para milhares de mulheres brasileiras. A partir de abril de 2024, uma única contribuição já garante o direito ao benefício, eliminando a exigência de carência mínima que vigorava até então. A nova política representa um avanço significativo para autônomas, MEIs e donas de casa que mantêm vínculos com a Previdência.
A alteração está em sintonia com o entendimento recente do Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucional exigir mais de uma contribuição de seguradas facultativas e individuais para acessar o benefício.
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Como funciona o novo critério do Salário-Maternidade?

Desde o dia 5 de abril de 2024, basta que a segurada tenha feito uma única contribuição válida antes do parto ou da adoção para solicitar o Salário-Maternidade. Antes dessa data, eram exigidos ao menos cinco recolhimentos mensais.
A mudança tem como objetivo reduzir desigualdades no sistema previdenciário, garantindo proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas que contribuem de forma intermitente ou informal.
Com isso, o governo amplia o amparo social às mães e responsáveis legais, permitindo que mais brasileiras recebam os 120 dias de benefício pagos pelo INSS.
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Quem pode se beneficiar da mudança nas regras
A nova diretriz favorece especialmente mulheres que não têm vínculo formal de emprego, mas que contribuem por conta própria. Entre as principais beneficiárias estão:
- Microempreendedoras individuais (MEI)
- Trabalhadoras autônomas
- Donas de casa que contribuem como seguradas facultativas
- Agricultoras familiares
- Empregadas domésticas com contribuições recentes
Aquelas que tiveram o benefício negado anteriormente, sob a justificativa de não cumprir a antiga carência, agora podem recorrer. O pedido de revisão pode ser feito por meio dos canais digitais do INSS ou por via judicial.
Salário-Maternidade pode ser solicitado por via administrativa
Para muitas mulheres, a possibilidade de resolver o problema sem precisar acionar a Justiça representa um grande alívio. O recurso administrativo pode ser solicitado de maneira simples e gratuita, evitando gastos com advogados ou processos demorados.
Quem teve o pedido indeferido antes da nova regra pode entrar com pedido de reanálise diretamente no aplicativo Meu INSS, disponível para celular e computador, ou pelo telefone 135. Basta anexar os documentos necessários, como certidão de nascimento da criança e comprovantes de contribuição.
Caso o pedido seja negado novamente, a via judicial continua sendo uma opção viável para garantir o direito.
Entenda o que é o Salário-Maternidade
O Salário-Maternidade é um benefício concedido pela Previdência Social a trabalhadoras que precisam se afastar de suas atividades por motivo de parto, adoção, guarda judicial para fins de adoção ou aborto não criminoso.
O benefício é pago por até 120 dias e pode ser solicitado por:
- Trabalhadoras com carteira assinada
- Contribuintes individuais (autônomas)
- Seguradas facultativas (como donas de casa)
- Empregadas domésticas
- Seguradas especiais (trabalhadoras rurais)
Enquanto para quem tem registro em carteira o pagamento é feito diretamente pela empresa, para as demais seguradas o pedido deve ser feito junto ao INSS.
Como solicitar o benefício com base na nova regra
A solicitação do Salário-Maternidade para contribuintes sem vínculo empregatício pode ser feita diretamente pelo portal ou aplicativo Meu INSS. O processo é simples e segue os seguintes passos:
- Acesse o aplicativo ou site Meu INSS
- Faça login com sua conta Gov.br
- Selecione a opção “Novo Pedido”
- Busque por “Salário-Maternidade” e selecione sua categoria
- Preencha o formulário com seus dados
- Anexe os documentos exigidos, como certidão de nascimento ou guarda da criança
- Envie o pedido e acompanhe a resposta pelo próprio app
Lembrando que a contribuição única precisa ter sido feita antes do evento (parto ou adoção). Contribuições realizadas após esse período não geram direito ao benefício.
Efeitos da medida nas contas da Previdência Social
A ampliação do acesso ao Salário-Maternidade terá impacto direto no orçamento da Previdência. De acordo com estimativas iniciais, a medida poderá gerar um custo adicional de até 12 bilhões de reais já no primeiro ano de vigência. Nos anos seguintes, esse valor tende a crescer à medida que mais seguradas descobrirem o novo direito.
Apesar do impacto financeiro, especialistas argumentam que o gasto é justificável diante da relevância social da medida. Ao proteger a maternidade mesmo entre trabalhadoras informais, o governo promove justiça social, inclusão e apoio às famílias brasileiras.
O que dizem os especialistas sobre a mudança
Juristas, professores de Direito Previdenciário e especialistas em políticas públicas vêm se manifestando a favor da nova regra. Para muitos, a exigência de cinco contribuições era um obstáculo desnecessário que penalizava justamente as mulheres mais vulneráveis.
Com a nova diretriz, o sistema se torna mais acessível e alinhado à realidade do mercado de trabalho brasileiro, onde muitas mulheres atuam de forma autônoma ou têm interrupções na contribuição por motivos alheios à sua vontade.
A flexibilização também reforça o reconhecimento do trabalho doméstico e materno como atividades socialmente relevantes, dignas de proteção estatal.
Salário-Maternidade: medida amplia justiça social e proteção à mulher
A nova regra do INSS não apenas corrige distorções históricas, mas também sinaliza uma política pública mais sensível à realidade de milhares de brasileiras. Ao permitir o acesso ao Salário-Maternidade com apenas uma contribuição, o sistema reconhece a diversidade das trajetórias profissionais femininas e valoriza o papel social da maternidade.
Essa mudança contribui para reduzir desigualdades, dá segurança financeira em um momento delicado da vida da mulher e fortalece o vínculo entre mãe e filho nos primeiros meses após o nascimento ou adoção.
Ainda que existam desafios financeiros envolvidos, a decisão representa um importante passo na construção de uma Previdência mais inclusiva, solidária e moderna.
Considerações finais

A decisão do INSS de flexibilizar a carência para concessão do Salário-Maternidade representa um marco importante na trajetória de proteção social no Brasil. Com uma única contribuição, mulheres antes excluídas do sistema previdenciário passam a ter garantido um direito fundamental durante um período crucial da vida familiar.
Cabe agora aos órgãos de gestão garantir que o benefício seja concedido de forma eficiente e transparente, evitando fraudes e assegurando que quem realmente precisa seja atendido. A medida também abre espaço para um novo debate sobre o financiamento da seguridade social em um país com alto índice de informalidade.
Ao priorizar a dignidade e a proteção da maternidade, o Brasil dá um passo firme em direção a um futuro mais justo e equilibrado para todas.
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