A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Unfollow para desarticular um esquema criminoso liderado por um influenciador digital. O suspeito, que utilizava redes sociais para promover ações ilegais, é apontado como integrante de uma facção criminosa.
As investigações indicam que ele teria usado sua influência para impulsionar o tráfico de drogas, praticar extorsão contra comerciantes e fortalecer a imagem do grupo criminoso na internet.
A ação policial, conduzida pela Delegacia de Sorriso, incluiu o cumprimento de seis mandados judiciais, sendo um de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão. O caso ganhou repercussão devido ao perfil público do investigado, que, ao mesmo tempo em que promovia marcas e eventos nas redes sociais, supostamente operava no crime organizado.
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Influência digital usada como ferramenta criminosa

As investigações começaram quando a polícia identificou um perfil no Instagram vinculado a atividades criminosas. Segundo os agentes, o influenciador utilizava a plataforma para promover o tráfico de drogas, intimidar empresários e exaltar a facção.
Além disso, ele incentivava novos integrantes a se associarem ao crime, atuando como uma espécie de recrutador digital. Em algumas postagens, fazia convites para jovens ingressarem no tráfico, apresentando isso como uma oportunidade lucrativa.
O delegado responsável pelo caso, Bruno França, destacou que o investigado tinha orgulho de sua conexão com o grupo criminoso. “As publicações demonstram que ele aparentemente tem orgulho de integrar organização criminosa, fazendo fotos ao lado de outros membros do grupo, postando regras e informativos da facção e incentivando a guerra entre grupos rivais”, afirmou.
Mandados e apreensões: o que foi encontrado?
A operação resultou na prisão do influenciador e de um comparsa, que foram detidos ao retornarem de uma festa supostamente promovida pelo grupo criminoso. Durante as buscas na residência do suspeito, a polícia apreendeu:
- Drogas ilícitas, divididas em pequenas porções;
- Balança de precisão, usada para pesar entorpecentes;
- Rádio comunicador, equipamento comumente utilizado por membros da facção para se comunicarem sem interceptações.
As evidências reforçam o envolvimento do influenciador com crimes como tráfico de drogas e extorsão, além de consolidar seu papel na promoção da facção em plataformas digitais.
Vida dupla: de influenciador a gerente do tráfico
A polícia descobriu que o investigado levava uma vida dupla. Em um de seus perfis, ele atuava como influenciador digital, promovendo marcas locais e participando de programas de TV. No entanto, nos bastidores, desempenhava um papel estratégico dentro da facção criminosa.
Além de comercializar drogas, ele teria assumido um cargo de gerência no tráfico local. Isso significa que não apenas vendia os entorpecentes, mas também coordenava outros traficantes, controlando a distribuição e os pontos de venda na região.
As redes sociais eram sua principal ferramenta de marketing para ampliar sua clientela e consolidar seu domínio no crime organizado.
Extorsão contra comerciantes: ameaça e intimidação
Outro ponto investigado na Operação Unfollow é o uso das redes sociais para extorquir comerciantes da cidade. A polícia identificou que o influenciador utilizava seus perfis para enviar mensagens veladas de ameaça.
A estratégia consistia em pressionar empresários a pagar quantias periódicas à facção, sob o risco de terem seus estabelecimentos danificados ou de sofrerem represálias ainda mais graves. Esse tipo de crime, conhecido como extorsão majorada, é uma prática comum entre facções para arrecadar fundos e expandir sua atuação.
Ponto de encontro do crime: a base da facção

Durante as investigações, a polícia também identificou que um antigo prostíbulo na cidade havia sido transformado em base operacional da facção criminosa. O local era utilizado tanto para reuniões estratégicas quanto para festas exclusivas, frequentadas apenas por integrantes do grupo.
Esse espaço funcionava como um ponto de apoio para a organização, servindo de refúgio para criminosos e como local de armazenamento de drogas e armas.
Conclusão: impacto da operação no combate ao crime
A prisão do influenciador representa um golpe significativo contra a atuação das facções criminosas no estado. A utilização das redes sociais como ferramenta de recrutamento e promoção do crime mostra a necessidade de monitoramento constante dessas plataformas pelas autoridades.
A Operação Unfollow reforça o compromisso da Polícia Civil no combate ao crime organizado, alinhando-se ao programa estadual Tolerância Zero, que visa desmantelar facções atuantes em Mato Grosso. As investigações continuam, e novos desdobramentos podem surgir nas próximas semanas.
Com informações de: PJC



