Um projeto aprovado em comissão da Câmara dos Deputados pode mudar uma das principais regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A proposta prevê que pessoas com deficiência permanente passem a receber o benefício de forma vitalícia, sem necessidade de revisões periódicas.
A medida foi aprovada pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e altera dispositivos da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), legislação que regula o pagamento do BPC no Brasil.
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Atualmente, beneficiários do programa podem passar por revisões periódicas do benefício para verificar se continuam cumprindo os requisitos exigidos pelo governo federal. Com a mudança proposta, pessoas cuja deficiência seja considerada permanente ficariam dispensadas desse processo.
Segundo especialistas em assistência social, a alteração busca reduzir burocracias e insegurança para famílias que dependem do benefício para sobreviver.
O que é o BPC e quem tem direito
O Benefício de Prestação Continuada é um benefício assistencial garantido pela Constituição Federal e regulamentado pela Loas. Ele é pago pelo governo federal por meio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
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O programa garante o pagamento de um salário mínimo mensal para dois grupos principais:
Idosos em situação de vulnerabilidade
Pessoas com 65 anos ou mais podem receber o benefício se comprovarem baixa renda familiar.
Pessoas com deficiência
Indivíduos de qualquer idade podem ter direito ao benefício quando possuem deficiência de longo prazo que dificulte sua participação plena na sociedade.
Para receber o BPC, a renda familiar por pessoa deve ser inferior a 1/4 do salário mínimo, além da necessidade de inscrição no Cadastro Único (CadÚnico).
Diferente da aposentadoria, o BPC não exige contribuição ao INSS.
O que muda com a proposta aprovada?
O projeto aprovado prevê duas mudanças importantes no funcionamento do benefício.
Fim da revisão periódica para deficiência permanente
Hoje, beneficiários do BPC podem ser convocados para revisões periódicas, que envolvem atualização cadastral e novas avaliações médicas e sociais.
Com a nova proposta, pessoas com deficiência comprovadamente permanente não precisarão mais passar por essas revisões.
A caracterização da deficiência permanente deverá ocorrer por meio de avaliação biopsicossocial realizada pelo INSS. Esse modelo considera aspectos médicos, sociais e funcionais da condição da pessoa, conforme previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Na prática, isso significa que casos irreversíveis, como determinadas síndromes genéticas ou condições neurológicas permanentes, poderiam ter o benefício garantido sem necessidade de reavaliação constante.
Revisão continua para casos não permanentes
A relatora do projeto decidiu manter a regra atual para situações em que a deficiência não é considerada permanente.
Nesses casos, o benefício continuará passando por revisão periódica a cada dois anos.
A justificativa é que, além da condição de saúde, a renda da família pode mudar ao longo do tempo. Caso haja melhora da situação econômica, o beneficiário pode deixar de atender aos critérios do programa.
Proposta também cria auxílio para dependentes após morte do beneficiário
Outro ponto relevante do projeto é a criação de um benefício de transição para dependentes do titular do BPC.
Atualmente, quando o beneficiário falece, o pagamento é encerrado imediatamente. Isso pode causar impacto financeiro imediato em famílias que dependem exclusivamente desse valor.
Para reduzir esse problema, a proposta prevê um auxílio temporário para dependentes.
Como funcionaria o auxílio temporário
O benefício de transição poderá ser pago por até seis meses após a morte do titular.
O valor seria equivalente a um salário mínimo, seguindo o valor do BPC vigente. Atualmente, o benefício acompanha o piso nacional.
Quem poderá receber
Para ter direito ao auxílio temporário, os dependentes deverão cumprir alguns critérios:
- Estar inscritos no Cadastro Único (CadÚnico)
- Comprovar que moravam com o beneficiário
- Possuir renda familiar por pessoa inferior a 1/4 do salário mínimo
O objetivo da medida é evitar que famílias vulneráveis enfrentem uma queda abrupta de renda após o falecimento do titular do benefício.
Como funciona a avaliação de deficiência no BPC
Para concessão do benefício, o INSS realiza uma avaliação baseada em dois elementos principais.
Perícia médica
Analisa a condição de saúde e o grau de limitação causado pela deficiência.
Avaliação social
Avalia fatores como renda familiar, acesso a serviços e impacto da deficiência na vida cotidiana da pessoa.
Esse modelo, chamado de avaliação biopsicossocial, é previsto na legislação brasileira e segue diretrizes do Estatuto da Pessoa com Deficiência.
Importância do Cadastro Único para receber o BPC
Um dos requisitos obrigatórios para solicitar o BPC é estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal.
O cadastro reúne informações sobre renda, composição familiar e condições socioeconômicas.
A atualização deve ocorrer pelo menos a cada dois anos ou sempre que houver mudança na renda ou na composição da família.
Caso o cadastro esteja desatualizado, o benefício pode ser suspenso ou bloqueado.
Projeto ainda precisa passar por outras etapas
Apesar da aprovação na comissão, o projeto ainda não virou lei.
O texto ainda precisa ser analisado por outras comissões da Câmara dos Deputados, incluindo:
- Comissão de Previdência e Assistência Social
- Comissão de Finanças e Tributação
- Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
Se aprovado em todas essas etapas, o projeto seguirá para votação no Senado Federal.
Somente após aprovação nas duas casas do Congresso Nacional e sanção presidencial a medida poderá entrar em vigor.
Impacto esperado para beneficiários e famílias
Caso seja aprovado definitivamente, o projeto pode trazer mais segurança para pessoas com deficiência permanente e suas famílias.
A dispensa de revisões periódicas reduziria burocracias, deslocamentos e incertezas para quem depende do benefício para despesas básicas, como alimentação, medicamentos e moradia.
Já o auxílio temporário para dependentes busca oferecer um período de adaptação financeira em momentos de perda familiar.
Especialistas em assistência social avaliam que medidas desse tipo podem fortalecer a proteção social para grupos vulneráveis, especialmente em contextos de baixa renda.
Imagem: Reprodução/Meu Cadastro Único




